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Mesmo com o tempo, detalhes do 11/09 não são esquecidos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Eram 08h46 de 11 de setembro de 2001. Um avião bate na torre norte do grandioso prédio World Trade Center (WTC), em Nova York (NY). Muitos se perguntavam como aquele acidente ocorreu.

Às 9h03, a resposta veio da forma que ninguém queria. Um segundo avião colidiu contra a torre sul da construção, evidenciando que não era um simples acidente. Pelo contrário, era um atentado terrorista muito bem elaborado.

Hoje, quando se completam exatos nove anos da tragédia, o JC publica os relatos de bauruenses e pessoas ligadas à cidade que estavam perto de onde os atentados ocorreram e, apesar de terem sentimentos diferentes, não conseguem esquecer os detalhes do episódio.

Neusa Maria Richards, 61 anos, é uma dessas pessoas. Ela não só estava em Nova York, como havia trabalhado por 3 anos e meio no WTC.

“Eu trabalhava no 101º andar, um dos que foram atingidos pelo segundo avião. Eu saí exatamente oito meses antes dos atentados. Se eu estivesse lá, certamente estaria morta hoje em dia”, conta.

De acordo com ela, o que a salvou foi a grande oferta de empregos da época. “Em 2001 e 2002, havia muito emprego disponível. Eu recebi uma proposta de um banco alemão para mudar de emprego e aceitei. Foi uma proposta que salvou minha vida”.

Hoje, Neusa ainda mora nos EUA, porém, tem familiares em Bauru. No dia dos atentados, ela conta que conseguiu aliviar a tensão da família pela rapidez em dar as notícias. “Os telefones celulares não estavam funcionando, porque a torre principal ficava no WTC. Quando cheguei em casa tinha 35 mensagens na secretaria eletrônica. Eu liguei para minha família assim que aconteceu o atentado da companhia, antes das linhas ficarem mudas”.

Entretanto, Neusa ainda guarda um fato bastante triste dos atentados. A mulher que ficou exatamente na função dela acabou morrendo nos ataques e o mais impressionante é que Neusa conversou com a vítima exatamente entre as duas colisões.

Há aqueles que querem esquecer, como é o caso de Neusa, e aqueles que, apesar de ainda lembrarem os detalhes dos maus momentos vividos, superaram o episódio. A jornalista bauruense Rosane Coutinho Bender estava com seus dois filhos em Orlando, na Flórida, exatamente quando os atentados ocorreram. Ela ressalta a ironia que a fez estar no país na data. “Era para eu voltar dia 10. Como o voo atrasou, ganhamos mais um dia. Exatamente o dia 11, onde tudo aconteceu”.

Juntamente com outros brasileiros, ela conseguiu ir embora dos EUA somente dois dias após os atentados, porém, não sem antes passar pelo clima tenso que invadira o país. “No aeroporto, eles revistaram todas as malas. Até mesmo presilhas de cabelo com pontas eles apreenderam. Era um clima enorme de apreensão e medo. Foi quase que uma paranóia”, relembra.

Já o piloto de aeronaves Luís Fernando Aiello, também bauruense, estava em Nova Jersey, cerca de 30 minutos de NY, no momento em que as torres foram atingidas. Na ocasião, ele trabalhava como instrutor de paraquedismo e ligou para a empresa a fim de saber se havia algum trabalho. “A secretária me falou que não, pois estávamos em guerra. Liguei a TV e vi o que estava acontecendo. Da minha casa eu vi a fumaça no WTC”.

Ele lembra que ficaram sem energia e sem telefone por um bom tempo e que o sentimento era ruim justamente pelo fato de ele não ser norte-americano. “Para nós brasileiros era ainda pior, pois não sentia que aquilo era uma guerra que eu fazia parte pois não sou americano. E algumas pessoas achavam que era o início de uma guerra mundial”.

Ambos moram novamente no Brasil, porém, o episódio não deixou receios de voltarem aos EUA, tanto que Luís Aiello está atualmente em visita ao país e Rosane afirma que voltaria, inclusive, nesta época do ano. “É a temporada na qual tudo é mais barato, né?”, brinca.

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A história antes e depois dos atentados

Quase uma década após os ataques, o geógrafo e professor de geografia humana e geopolítica, Sebastião Clementino da Silva, o Macalé, acredita que o 11 de setembro trouxe profundas mudanças, principalmente, na concepção dos norte-americanos em relação ao restante do mundo.

Ele explica que o Oriente conseguiu mostrar aos EUA que nem sempre o poderio militar pode vencer uma guerra, tanto que os atentados são considerados uma verdadeira guerra perdida no próprio território americano.

Após um período pós-atentado, no qual o governo de George W. Bush iniciou uma paranóia intensa em tentar capturar os responsáveis, hoje, o mundo goza dessa mudança de concepção. E, para o professor, a eleição e a postura do atual presidente do país, Barack Obama, são provas dessas mudanças.

“Os americanos entenderam que não podem governar o mundo pelo unilateralismo. Hoje, eles pensam em uma política multilateral. O Obama senta para negociar, enquanto o Bush não agia assim”, afirma.

Ele considera ainda que, além da mudança de pensamento norte-americana, o 11 de setembro trouxe conseqüências econômicas. “Ao mostrar que os EUA não eram tudo o que pareciam ser, os países emergentes perceberam que também tinham potencial. Eles perceberam que unidos podiam deter a arrogância norte-americana e começaram a crescer. Os atentados, aliados à crise financeira de 2008, alteraram o modo como o mundo via os EUA também”.

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Do outro lado da notícia

Grande parte da população acompanhou os atentados pela televisão. Enquanto assistiam incrédulos as imagens que mais pareciam cenas de um filme holywoodiano, quase ninguém imaginava qual era o sentimento dos jornalistas que cobriam o fato.

O atual âncora de telejornais no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), Carlos Nascimento, realizou toda a cobertura pela Rede Globo. Ao contrário do que muitos pensam, ele conta que ninguém tinha ideia do que estava ocorrendo. “As primeiras imagens da CNN eram em plano fechado e mostravam apenas um buraco no prédio. Pensávamos que um pequeno avião havia batido e entrado na torre”.

Ele afirma que a imagem que mais o marcou foi exatamente do ataque do segundo avião. “Eu não percebi - ou no fundo não queria acreditar - que estava acontecendo pela segunda vez. Achei que era outro ângulo da primeira colisão. Aí alguém gritou e eu me dei conta”, relembra.

Carlos Nascimento já fez a cobertura de diversos outros eventos importantes nacional e internacionalmente, porém, acredita que, para ele e para o restante dos jornalistas envolvidos, o 11 de setembro “foi o acontecimento mais grandioso, mais grave e mais importante da vida de todos”.

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