Regional

Capelas rurais de Torrinha estão catalogadas em livro

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Um projeto que surgiu na sala de aula durante o estudo do período barroco no Brasil, disciplina de educação artística da escola pública Lázaro Franco de Moraes, de Torrinha (90 quilômetros de Bauru), se transformou em um livro que está subsidiando um novo roteiro turístico.

O trabalho, feito por 100 alunos da professora Kátia Regina Buzato, tinha como objetivo inicial analisar as imagens sacras feitas em madeira que encontravam-se nas igrejas da cidade e da zona rural, que fossem semelhantes às estudadas no período barroco. Como alguns estudantes eram da área rural, a busca passou a ser feita também nas capelas.

O assunto despertou grande interesse entre alunos e professores, que desenvolveram um projeto com a ajuda da prefeitura e catalogaram 48 capelas. O trabalho, concluído no ano de 2001 com fotos em preto e branco, ganhou depois uma versão em cores e recebeu o prêmio “Educador Nota 10”, conferido pela Fundação Victor Civita - que valoriza as iniciativas da educação básica. A primeira edição teve tiragem de 30 livros, passando na segunda edição para 40 exemplares, doados por um torrinhense.

Na fase inicial do projeto, os estudantes apresentaram uma lista com 23 capelas rurais que poderiam ser visitadas. Na conclusão da pesquisa chegou-se às 48 que depois foram catalogadas no livro.

Com um ônibus cedido pelo município, os alunos colocaram o pé na estrada e foram conhecer in loco aquilo que hoje faz parte do patrimônio histórico e cultural de Torrinha.

Patrimônio

Segundo a professora idealizadora do projeto, os objetivos traçados inicialmente foram alcançados. “Levantamos e catalogamos as capelas rurais de Torrinha. Desenvolvemos o pensamento artístico e o olhar sobre a realidade. Estabelecemos uma relação entre conteúdos estudados e as vivências dos alunos. Conhecemos a cultura e a história local, valorizando o que é próprio do lugar, e conscientizamos os jovens sobre a importância da preservação do patrimônio histórico”, observa Kátia Buzato.

“Os estudantes perceberam que a existência dessas pequenas capelas revela a história de vida de pessoas, famílias e do município, e que devem ser preservadas e recontadas às novas gerações. Perceberam que essa história é de todos, pois cria e fortalece a identidade da população através de algo comum”, acrescenta a professora.

Já no conteúdo curricular dos alunos, na opinião da docente, foi acrescentado um olhar diferente sobre as obras locais.

“Eles aprenderam a comparar a produção artística de diferentes épocas, locais, estilos. Notaram que o objeto artístico não está apenas em museus, grandes templos religiosos e salões de arte. Passaram a identificá-los e valorizá-los ao perceber que os objetos artísticos estão presentes no dia a dia.”

Kátia enfatiza que o estudo despertou um profundo respeito dos jovens pelas construções e imagens encontradas. “Eles aprenderam que são os guardiões da cultura do povo e retrataram materialmente os costumes, a estética, as crenças e tantos outros aspectos do passado”, destaca.

O projeto foi selecionado dentre os 300 melhores do País e os 53 melhores do Estado de São Paulo por ter resgatado os valores religiosos, culturais e arquitetônicos do município, preservando o patrimônio histórico. O material está arquivado na Biblioteca Municipal de Torrinha.

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