Grande parte das 48 capelas catalogadas no trabalho dos alunos está em propriedades rurais privadas, o que não garante o acesso de turistas. Mas uma agência de turismo da cidade enxergou o nicho de mercado e traçou um passeio por quatro delas. O roteiro ainda está sendo definido e, nos próximos dias, deverá estar disponível no site da empresa.
Gesner Fini Mussi, proprietário da agência, explica que a visita será em quatro capelas, que são as maiores e estão prontas para receber os visitantes religiosos. “É o turismo religioso. Todas as visitas serão feitas com guias e, no local, os turistas receberão informações sobre a história que envolve aquele templo religioso.”
A descoberta das capelas nos bairros rurais acrescentou conteúdo ao patrimônio histórico da cidade, além de ajudar o município a impulsionar o turismo, opina a bacharel em direito Andréia Carolina Lupino Scaranelo. Ela participou há oito anos do estudo e reconhece a importância do resgate histórico.
“Na época eu cursava o 1o colegial e conhecemos templos religiosos que os moradores de Torrinha desconheciam. Hoje, eles estão catalogados e todos podem ter acesso através do livro e, futuramente, do roteiro turístico. A população luta muito para movimentar o turismo na cidade e essa é uma nova ferramenta a ser trabalhada.”
O estudo começou a ser feito na disciplina de educação artística, ministrada pela professora Kátia Regina Buzato na escola pública Lázaro Franco de Moraes, sobre o barroco brasileiro.
“Fomos em busca de obras. Na capela Nossa Senhora do Rosário, de propriedade da minha família, encontramos uma santa talhada em madeira com mais de 100 anos.”
Devoção
Posteriormente, segundo a ex-aluna, foi descoberto que a imagem havia sido esculpida por Sílvio Scaranelo, um antepassado do pai dela. A obra estava na capela do sítio Tabarana. “Acredita-se que ele tenha talhado a imagem de sua santa de devoção para pagar uma promessa.”
Andréia Scaranelo frisa que o levantamento também incentivou os proprietários a fazer a manutenção das edificações. “As capelas maiores estavam conservadas, mas as menores, nem todas. Até porque as pessoas mais antigas morreram e os filhos nem sempre ficaram para manter a tradição das rezas, novenas e missas de capelas”, observa.
Outra constatação da bacharel em direito foi sobre a religiosidade e a fé dos moradores de bairros rurais. “O estudo mostrou que a população rural era muito religiosa. Tinham sempre um santo de devoção e, quando estavam em situação difícil, recorriam a ele e ao receber a graça pedida, construíam uma capela.”
Detalhes das edificações das capelas remetem à origem dos imigrantes que povoaram aquela região do Estado de São Paulo, observa a ex-aluna. “A maioria das capelas eram pequenas para atender apenas a família do sitiante. Algumas delas chamaram atenção por conter detalhes semelhantes às capelas italianas, outras por conter várias imagens de santos diferentes”, constata Andréia.
Os alunos ficaram impressionados com o que encontraram durante o trabalho e fizeram pinturas retratando a impressão que tiveram das capelas.
“Fizemos pinturas sobre as capelas para uma exposição. A capela Nossa Senhora do Rosário tem capacidade para acolher cerca de 30 pessoas. Neste ano foi celebrada uma missa em agosto. Próximo ao Natal e Quaresma são realizadas novenas.”
Mais informações: www.valedoloboturismo.com.br.