São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que deixou de regulamentar produtos integrais porque não existia risco sanitário em consumir um pão que não é verdadeiramente integral.
Segundo a assessoria de imprensa da agência, “caso o desejo do consumidor seja o consumo de um produto com apelo mais natural, convém checar a lista de ingredientes para identificar quais os ingredientes utilizados são integrais; por exemplo, se há mistura de farinhas ou cereais não integrais”. Em maio, porém, o órgão regulador proibiu publicidade da bebida Alpino Fast, da Nestlé, por entender que induziria as pessoas a acreditar que o produto tem o chocolate Alpino, o que não é verdade.
“No caso do Alpino houve denúncia. Lógico que se houver provocação, atendemos, mas não é nossa prioridade. Claro, o consumidor pode estar sendo enganado, mas tudo depende de analisar caso a caso”, disse a gerente substituta de monitoramento da propaganda da agência, Ana Paula Macera.
Procurada, a Bimbo não respondeu os questionamentos da reportagem. A reportagem não localizou representante da Wickbold, apesar de contato com as áreas de marketing e atendimento ao consumidor.
A Panco prometeu lançar pão 100% integral, mas com maciez. Questionada sobre como isso seria possível - pois os engenheiros de alimentos dizem que é improvável -, disse que não poderia revelar a receita.
A Nestlé, em nota, destacou que considera integral todo produto que tem, em cada grão de farinha, ao menos, 20% de farinha integral. Também destacou ter cereais integrais nas fórmulas de biscoitos, cereais matinais, sopas, macarrões. A Kraft disse não informar a porcentagem de farinha integral no rótulo de seus biscoitos integrais porque a Anvisa não exige.