Nelson Rodrigues já dizia que “o boteco é ressonante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele”. Lugar para esquecer as preocupações e as mágoas, se inteirar do que rola na política e na casa do vizinho, beber e comer muito bem.
Belo Horizonte é o paraíso dos butecos, que nada têm a ver com os do Rio e de São Paulo. Buteco mineiro não é a mesma coisa que os botequins cariocas, não tem similar entre os bares paulistas.
No Rio, os botequins são mesmo um estabelecimento comercial onde se servem bebidas, principalmente chope. E têm sempre um tira-gosto que define a cara do botequim e a sua freguesia. Algo como o “bolinho de bacalhau do Bracarense”, uma pequena porta com mesas na calçada rodeadas de chope gelado e muita gente. Ou o Bar Luiz, no Centro, que é sinônimo “do melhor chope da cidade”, ou o Bar da Lagoa e seus garçons. E ainda o Amarelinho, com aquele “frango a passarinho”, salpicado de alho frito.
Em São Paulo, o que existe são bares, hoje alguns chamados de “botecos”, mas são bares. Bem diferente dos butecos de Minas Gerais, que nasceram como espaços para evocar a forma de viver dos mineiros. São lugares de encontro. Espaços que a população da cidade cria, democráticos. Lugares onde todos vão, onde cabem todos... lugares de diversidade, pluralidade, diferenças.
A praia mineira
Em Belo Horizonte os butecos são lugares públicos, de todos, democráticos. Os butecos são, nesta cidade, um espaço cultural, um lugar incorporado às práticas cotidianas, aos viveres do povo.
Um espaço de sociabilidade. Mais que um lugar de bebidas, de cerveja gelada e de bons petiscos. O buteco é o espaço que evoca essa forma de viver.
A cachaça e a vida nas fazendas
Lugares para se tomar a verdadeira cachaça mineira e até mesmo jogar um poquinho no chão “pro santo” e voltar à infância, provando comida boa que remonta à infância, tipo frangos, leitões, costeletas, mandioca, couve, taioba, angu, quiabo, miúdos, milho, farinhas, pimentas.
Torresmos, língua cozida, rabada, dobradinha. Lingüiça curada no quintal, pão de queijo.... Comidas que fazem parte de gerações. Históricas, inesquecíveis.
Deu para entender a diferença entre os butecos de Minas, os botequins cariocas e os bares de São Paulo?
Tudo compactado na memória é hora de partir para o melhor. As receitas espetaculares que fazem parte dessa instituição mineira. Testadas, aprovadas e divulgadas num evento que já completa 10 anos: O Comida di Buteco, que produz uma rede pela cidade, traça caminhos, links.
Os usos comuns de BH
Regina Helena Alves da Silva, doutora em história social e professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, lembra, na apresentação do livro, que o “Comida di Buteco” traz de volta a solidariedade que une quem compartilha um conjunto de referências, práticas e usos comuns à cidade de Belo Horizonte.
“O evento explica nossas diferenças, mostra como somos diversos, mas também traz de volta o lugar eleito por todos nós como o espaço da igualdade”.
• Serviço
“Comida di Buteco-10 anos. Receitas e Segredos. 100 petiscos direto para a sua mesa. Autêntica Editora Ltda/Gutenberg. Rua Aimorés 981, 8.º andar. Tel. (31) 3222-6819. Televendas: 0800-283-1322. www.autenticaeditora.com.br
Moela do jeito Bartiquim
Rua Silvianópolis, 74, Santa Tereza - BH, (31) 3466-8263
Ingredientes
2 kg de moela
6 dentes de alho amassados
1 cebola grande cortada em cubinhos
1 colher (sopa) de colorau
200 g de bacon cortados em cubinhos
Sal a gosto
Modo de preparo
Frite o bacon, adicione o alho, a cebola e deixe dourar.
Junte o colorau e a moela, cubra com água e cozinhe por 40 minutos em panela de pressão. Sirva bem quente, acompanhado de fatias de pão.
Cada um no seu quadrado
Bar do Véio, Rua Itaguaí, 406, Caiçara - BH, (31) 3415-8455
Ingredientes
1 kg de carne (patinho)
1 kg de pernil
350 g de bacon sem pele
4 ovos
60 g de vinho tinto suave
60 g de pimentão
60 g de cebola
230 g de farinha de rosca
Sal a gosto
Modo de preparo
Moa as carnes duas vezes. Processe todos os outros ingredientes, acrescente as carnes e misture bem. Acrescente a farinha de rosca e misture. Modele no formato que achar melhor. Asse em forno muito quente. Sirva bem quente, em porções.
Brega & Chique
Bombar, Rua Guaicuí, 116, Luxemburgo - BH, (31) 3294-1714
Ingredientes
1 kg de pernil limpo em cubos
50 g de bacon
100 g de toucinho sem pele
50 ml de vinho branco seco
40 ml de água
2 colheres (sopa) de couve picadinha
1 colher (sopa) de muçarela ralada
1 colher (sopa) de queijo parmesão ralado
50 g de alho
3 colheres (sopa) de açúcar cristal
1 colher (café) de mel
1 colher (sopa) de água
Gengibre em pó a gosto
Cebola picada a gosto
Alho picado a gosto
Cebolinha a gosto
Sal a gosto
Pimenta-do-reino a gosto
Pimenta calabresa a gosto
Páprica doce a gosto
Tripa de porco
Modo de preparo
Lingüiça:
Moa o pernil e o bacon. Em seguida, moa o toucinho por duas vezes. Misture todos os ingredientes e deixe descansar na geladeira por 24 horas. Lave as tripas em água corrente. Encaixe o funil e introduza o recheio aos poucos. Frite em óleo morno e reserve.
Bolinho de angu:
Coloque a água em uma panela até ficar morna. Adicione o fubá aos poucos e misture. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por 10 minutos. Deixe esfriar e acrescente os demais ingredientes (farinha de trigo, muçarela, parmesão, sal e pimenta-do-reino). Enrole os bolinhos e frite em óleo quente.
Alho caramelizado:
Derreta o açúcar e o mel até adquirir cor de caramelo. Acrescente o alho e depois a água. Cozinhe por 5 minutos. Apague o fogo e coloque a pimenta-do-reino branca e o gengibre em pó.
Sirva em temperatura ambiente. Em um prato, sirva a lingüiça acompanhada de bolinhos de angu, com parmesão e alho caramelizado.
Atrás da moita
Autêntico’s Bar, Av. Prof. Mário Werneck, 896, Estoril - BH, (31) 3378-3215
Ingredientes
2 kg de carne de boi (patinho/maçã de peito) cortada em cubos e já cozida
1 kg de lingüiça defumada em rodelas médias
200 g de pupunha cozida com sal e limão
400 g de cenoura em rodelas médias
3 tomates médios em pedaços médios
1 alho-poró triturado
2 cebolas cortadas em fatias largas
2 molhos de couve
1 litro de óleo para fritar a couve
Tempero a gosto
Modo de preparo
Em uma panela, refogue a cebola, o alho-poró, o gengibre, o tempero e a lingüiça.
Acrescente a carne já cozida com o próprio caldo, ferva por 10 minutos e junte a pupunha. Corte a couve bem fininha (quanto mais fina melhor o resultado) e leve à geladeira por 15 minutos.
Em uma panela funda, aqueça bastante o óleo e frite a couve por imersão durante 10 segundos. Escorra em papel toalha e reserve. A couve deve ficar crocante. Em uma travessa funda, coloque a carne refogada e cubra com o couve frita. Sirva com fatias de pão francês.
Asinhas recheadas
Acompanhadas com molho da chef
Bombar, Rua Guaicuí, 116, Luxemburgo - BH, (31) 3292-1714
Ingredientes
8 asinhas de frango inteiras
200 g de bacon picadinho
1 colher (café) de páprica picante
Alho, sal, limão e pimenta-do-reino branca a gosto
Molho do chef
100 ml de molho shoyu
1 colher (sopa) de açúcar mascavo
3 colheres (sopa) de mel
2 colheres (sopa) de aceto balsâmico
Modo de preparo
Asinhas: desosse as asinhas, deixando a ponto com o osso. Tempere e recheie com o bacon. Empurre a pele para fechar, como se fosse um bombom.
Molho: leve ao fogo o shoyu e os demais ingredientes até reduzir a metade. Deixe esfriar. Sirva as asinhas recheadas quentes, acompanhadas do molho em temperatura ambiente.