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Para Dilma, denúncia contra sua sucessora é ‘assunto de governo’


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São Paulo - A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, tentou desvincular sua campanha do escândalo que envolve Erenice Guerra, sua sucessora na Casa Civil.

Ontem Dilma havia defendido Erenice, seu braço direito na Casa Civil e, antes, no Ministério das Minas e Energia. Ontem, no entanto, a a candidata mudou o discurso e disse que esse é “assunto do governo”.

“Eu não tenho de provar nada da minha pessoa. Eu não estou sendo acusada de nada. Eu não vou me manifestar sobre esse assunto. É um assunto do governo. Essa é uma questão que não está no âmbito da minha campanha. O governo responderá por ela”, afirmou Dilma.

Erenice é acusada de ter atuado para viabilizar negócios nos Correios intermediados por uma empresa de consultoria que tem um de seus filhos, Israel, como sócio.

O caso foi revelado pela revista “Veja” no fim de semana.

Para a candidata Dilma, a tentativa de ligá-la ao escândalo só interessa “à pauta negativa caluniadora do meu adversário”.

“Eu não vou ficar me atendo à pauta do meu candidato adversário. Vou me ater à pauta propositiva”, afirmou a candidata horas antes da realização do debate Folha/RedeTV, ontem à noite.

“Esses saltos mortais que pegam um fato e querem ligar a mim, e meio não tem nada, eu não vou mais dar combustível para isso. Não respondo a isso”, afirmou Dilma ontem durante visita à favela de Paraisópolis (zona sul de São Paulo).

Serra

José Serra (PSDB) não quis falar ontem sobre o assunto. Após visita a uma exposição para crianças, em São Paulo, acompanhado de sua neta Gabriela, 3, avisou a uma assessora que não falaria sobre “ti-ti-ti político”.

Em rápida entrevista, disse que já havia falado sobre o caso na véspera. “Vamos aguardar”, limitou-se a dizer.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que detalhes da estratégia da oposição para tratar do caso serão decididos na terça, em reunião extraordinária da Executiva do PSDB.

Ontem, recebeu aval de Serra, em conversa por telefone, para articular a produção de uma representação a ser entregue à Procuradoria Geral da República para que seja aberta uma investigação formal sobre o caso.

Uma outra frente de ação cogitada pela oposição é propor convocação de personagens envolvidos no suposto esquema de lobby na Casa Civil para depor no Senado.

“Temos que fazer convocação para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)”, disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que admite, contudo, ser difícil aprovar qualquer tipo de requerimento em reta final de eleição.

“Eles (PT) sempre fazem assim: até admitem a existência do crime, mas nunca admitem que existe um criminoso”, disse o senador.

O senador, no entanto, disse ser contra a oposição se engajar em pedir a demissão de Erenice Guerra do comando da Casa Civil. “Ela tem que ficar lá muito tempo fazendo as trapalhadas dela. À oposição cabe fazer oposição, e não pedir demissão ou admissão”, disse.

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