A política de progressão continuada, implementada pelo governo no Estado de São Paulo, merece ser revisada. Essa é a opinião do ex-vereador e candidato a deputado estadual Primo Mangialardo (PSC), que apoia o tucano Geraldo Alckmin na sucessão estadual. A falta de uma política pública voltada para a recuperação de dependentes químicos também foi criticada pelo candidato. Ele defende a valorização de salário como um dos caminhos para a melhoria da qualidade da saúde, educação e segurança. “O que vai resolver é alguém arregaçar as mangas e trabalhar. Essa também é uma tarefa do deputado, se aproximar do Executivo e buscar soluções para os problemas”, observa. Leia a seguir, trechos da entrevista do candidato ao Jornal da Cidade.
Jornal da Cidade - Você é favorável à progressão continuada ou se posicionará contra?
Primo Mangialardo - O ser humano é competitivo e precisamos de desafios para ultrapassar as barreiras do nosso próprio ser. O que vejo na progressão continuada é que estamos criando uma geração de pessoas que não são questionadoras. Exames, provas e trabalhos servem para exercermos o lado questionador do ser humano. Se hoje os estudantes não forem crianças e adolescentes questionadores, teremos uma sociedade muito fácil de ser controlada por grupos ou pessoas. Acho que não é positiva a progressão continuada. Acredito que a escola deve ser mais do que é hoje. A criança e o adolescente devem permanecer na escola o dia todo, com atividades de lazer, físicas, lúdicas. Acho um absurdo os estudantes nãos serem preparados para o mundo da arte, que gera sensibilidade, permite que você se emocione. Como deputado, vou fazer parte do grupo que defende a reestruturação da progressão continuada, e esse remodelamento deverá ser feito aproveitando o corpo técnico da educação e não o corpo político.
Jornal da Cidade - Quando você fala que falta atividades que despertem a sensibilidade e o lúdico, acaba tocando na falta de incentivo para cultura?
Primo Mangialardo - Estamos formando seres extremamente racionais. Não se aborda mais nas escolas atividades lúdicas. No Silvério São João, onde estudei do primário até a oitava série, semanalmente a gente tinha que elaborar uma peça de teatro. E não lembro do meu filho ter feito o mesmo, a não ser no jardim da infância. Onde está o nosso lado sensível? Que tipo de adulto estamos formando? Outra coisa é a falta de política pública de cultura. Não acho que deve ser uma vez por ano, para mostrar que está se fazendo algo, como é o caso da Virada Cultural. O Estado tem arrecadação suficiente para fazer uma Virada por mês em São Paulo inteiro. A arrecadação de imposto aqui é fenomenal. Não é para fazer assim e achar que cumpriu o papel. O governo está mais preocupado em fazer estrada e depois terceirizá-las do que investir na formação do ser humano.
Jornal da Cidade – E na questão de recuperação de dependentes químicos?
Primo Mangialardo - Não existe uma política de recuperação de dependentes. Temos um exemplo legal no Esquadrão da Vida, em Bauru. A prefeitura fez um convênio com a entidade. O prefeito (Rodrigo Agostinho) tem investido nessa área e acredito que isso também deve ser levado ao Estado. Pagar para as entidades cuidar dos dependentes. Mas tem que ser uma ação vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, pois a dependência química é uma doença e deve ser tratada como tal. Da mesma forma que tem campanha de vacinação infantil, tem que ter uma campanha de combate à droga voltada para as crianças também. Ninguém investe nisso, pois é mais fácil inaugurar penitenciária, mais bonito entregar um caminhão de bombeiro. Mas é feio cuidar de dependentes químicos, uma população que cresce a cada dia. Não dá Ibope.
Jornal da Cidade - O PSC apoia a Dilma Rousseff (PT) para presidente da República e Geraldo Alckmin (PSDB) para o governo do Estado. Isso influencia na campanha?
Primo Mangialardo - É uma situação incomum ter dois segmentos. Porém, a regional São Paulo do PSC fechou com o Geraldo Alckmin e assim focamos o que pretendemos fazer a nível de Estado. Já na questão da federação, o PSC se relaciona bem tanto se o José Serra (PSDB) for o ganhador, quanto se a Dilma Rousseff for eleita. O partido trabalhou nessa filosofia. Aquele que ganhar, o PSC terá uma porta de acesso para a esfera federal. E se não for o Alckmin o vencedor no Estado, acredito que pelos princípios do partido, qualquer governador eleito vai desejar ter um partido como o PSC na sua base aliada. Mas Bauru merece mais representatividade na Assembleia, mais recurso e atenção do Estado.