Política

Paulo Martins critica o foco no capital e propõe virada

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Somente uma transformação radical da estrutura nacional acabará com o abismo social e proporcionará um foco de governo voltado para o ser humano e não para o capital. “Os grandes grupos continuarão governando o País e colocando pessoas para governar por eles. Para fugir disso tudo, somente uma transformação radical. Enquanto o Capital estiver com o controle, continuaremos sendo os coadjuvantes do sistema”, sentencia Paulo Sérgio Martins, canditado a deputado federal pelo PSTU. Na reta final da campanha para as eleições 2010, o bancário foca suas ações na politização dos eleitores e na proximidade com representações sindicais e de movimentos estudantis. Confira trechos da entrevista que o candidato concedeu ao JC.

Jornal da Cidade - Na proposta do PSTU consta a estatização de bancos. Como fazer esse processo?

Paulo Sérgio Martins - É necessário estatizar todos os bancos, justamente para manter o investimento no País. É a única forma do governo manter o controle. Hoje, três em cada quatro brasieliros estão endividados. E a quem eles vão recorrer? Aos bancos. E assim, a pessoa nunca mais sai da dívida. Também temos a maneira cruel que são tratados os bancários. O ritmo de trabalho infernal, que deixa as pessoas doentes, tudo visando o lucro. Tem a questão do atendimento aos clientes, o banco abre somente durante cinco horas, pois a visão é que quanto menor o tempo, maior o lucro. E sem você obter nenhum tipo de retorno para o País. E a forma de promover essa estatização é pelo controle dos trabalhadores. Isso, claro, dentro de uma modelo socialista. É preciso fazer a reforma. Se continuar o controle do mercado, não tem jeito.

Jornal da Cidade - O governo tem apostado muito no ensino profissonalizante como ponte para o mercado de trabalho. Como você encara isso?

Paulo Sérgio Martins - Primeiro, você tem que ter o mínimo de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) investido em educação. Assim, teremos do primário até a universidade, uma educação de qualidade e que prepare não só para o mercado, mas também como indívíduo. A grande maioria das pessoas que sai das escolas formadas, não são absorvidas pelo mercado. Temos um monte de gente que passou pela universidade e que trabalha fora de sua área de formação. Na lógica de ensino profissionalizante, jogamos o indivíduo no mercado de trabalho, muitas vezes muito jovem, e ele acaba sendo explorado. Nessa fórmula atual, o desenvolvimento intelectual do ser humano fica muito longe da prioridade.

Jornal da Cidade - E a política de investimento em infraestrutura do governo federal, como é avaliada?

Paulo Sérgio martins - Todo investimento que vemos atualmente continua voltado para o mercado e para o capital. Se fala muito do mercado com o crescimento econômico, mas ainda vemos dentro do País, uma miséria muito grande. Há 40 anos que não existe um investimento definido em infraestrutura. Você vê famílias sem moradia, sem saneamento. Todo o investimento feito hoje é para o capital. Na questão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vemos que boa parte da verba destinada a ele já foi empregada somente na elaboração do projeto. Se você tirar do papel, levará 25 anos para ser cumprido na prática. Na hora de implantar, não terá verba para isso. O programa está muito distante da realidade e é mais uma questão eleitoreira do govenro atual.

Jornal da Cidade - De onde viria o dinheiro para o investimento em infraestrutura?

Paulo Sérgio Martins - Tudo o que a gente coloca no programa, tem um fundamento. O dinheiro para fazer isso viria ao se suspender o pagamento da dívida interna e da externa. Muitas pessoas pensam que isso é promover o calote, mas quem sofreu o maior calote até hoje foi o povo em geral, que paga seus impostos e não vê esse recurso voltar em educação, saúde e moradia. Acho que não temos que ter essa questão moral e burguesa de falar em calote. Aqui no Brasil temos muitos recursos e terra para usar e mesmo assim você vê a dependência que temos. Se desvia tanta grana no agronegócio e um terço disso a gente poderia aplicar na reforma agrária. Hoje, terras do governo estão com grileiros. Na região de Iaras são 150 mil hectares que desde 1910 são destinados à reforma agrária e até hoje isso não aconteceu.

Jornal da Cidade - E a representatividade política do Brasil no exterior?

Paulo Sérgio Martins - Se a gente observar, o Brasil é rico lá fora e dentro tem gente vivendo na miséria. Eu prefiro que a gente tenha as necessidades preenchidas aqui dentro. A grande maioria da população está fora do crecidemtno, do foco internacional.

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