A escola estadual Professora Sueli Aparecida Sé Rosa, localizada no Núcleo Isaura Pitta Garms, o Bauru 1, foi palco de um tumulto ontem pela manhã envolvendo cerca de 400 alunos, professores e pais de alunos. O que era um protesto contra a troca do comando da escola, acabou numa confusão que exigiu a presença da Polícia Militar. Vidros de janelas do prédio foram quebrados e estudantes chutaram lixeiras.
De acordo com o professor de história da escola Duílio Duka de Souza, pais e alunos, assim como a equipe de profissionais da instituição, não estão satisfeitos com a atual diretora, que recentemente assumiu a escola. “Os alunos não querem mais ficar na sala de aula, reivindicam a volta da antiga diretora”, informou.
De acordo com as mães dos estudantes, que resolveram ir até a escola após a confusão ser instalada, frequentemente os alunos têm aulas vagas. Elas atribuem a falta de professores à mudança de direção da escola.
A conselheira do Conselho da Escola e integrante da Associação de Pais e Mestres (APM), Amaly Losmarke, coletou 260 assinaturas de pais responsáveis por alunos que pedem a volta da diretora antiga e enviou o documento à Diretoria de Ensino. “A escola sempre foi modelo para o bairro, estamos insatisfeitos com o que vem acontecendo”, disse.
Críticas
A diretora que foi alvo das críticas não quis falar com o Jornal da Cidade. De acordo com policiais militares da Base Leste, que estiveram no local, ninguém foi agredido durante o tumulto, nem detido.
Na hora da entrada dos alunos do período noturno, novamente houve confusão na escola e a Polícia Militar foi acionada outra vez. “Os professores ficaram do lado de fora insuflando os alunos a não entrarem para assistir aulas. Eles não gostam da diretora, mas não vejo motivo”, disse a mãe de duas alunas, que prefere não se identificar com medo de represálias. Ela teme novos tumultos. “Tenho medo que minhas filhas - uma de 14 e outra de 16 anos - fiquem feridas”, frisa.
Procurada pelo Jornal da Cidade, a Secretaria de Estado da Educação informou que não sabe o motivo da revolta contra a atual diretora, que assumiu o cargo no último dia 5. Explicou que, por cerca de cinco anos, a escola Sueli Aparecida Sé Rosa era comandada por uma vice-diretora porque a diretora, Vera Nilce Jarussi de Sá, estava licenciada para a função de dirigente de ensino de Bauru.
Após deixar o cargo de dirigente, Vera Nilce se aposentou. Com isso, a Secretaria de Educação nomeou outra diretora para a escola. Porém, ela não foi bem recebida. Depois do tumulto de ontem, a diretora foi chamada na Diretoria de Ensino para uma conversa e o órgão designou três supervisores para ir à escola verificar o que está ocorrendo. Eles deverão conversar com professores, pais e alunos.
Depois, deverão elaborar um relatório que será entregue à Diretoria de Ensino para direcionar eventuais medidas. A Secretaria de Educação nega que vidros tenham sido quebrados e alunos tenham chutado lixeiras no tumulto de ontem.