Turismo

Costa de encantos

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Recife foi fundada em 1537. O nome vem das pedras, os arrecifes que protegem e dão um charme especial ao lugar. Uma cidade com geografia única, com pano de fundo pontuado por intensos tons de verde e recortada por rios (Capibaribe e Beberibe), mangues e o mar. Águas que convivem harmoniosamente com testemunhos arquitetônicos de um passado glorioso, como provam suas ruas centenárias, igrejas barrocas, casarios coloniais e fortalezas. Conheça a seguir algumas de suas atrações.

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As pitangas de Apipucos

É inegável a importância histórica do Recife, terra de grandes homens, como o sociólogo Gilberto Freyre. Um dos passeios mais agradáveis para se fazer estando lá é uma visita ao sobrado rosado onde viveu por décadas o autor de “Açúcar”.

Móveis da época, porcelanas e talheres em prata, a velha cama cujos pés jamais foram voltados para a rua (para que a morte não chegasse antes da hora) estão ali preservados. Assim como uma infinidade de pitangueiras que ajudavam a evitar a erosão do solo. Delas, Freyre extraía o néctar para a fabricação dos famosos sucos e licores de pitanga que eram servidos aos amigos visitantes.

O prédio que se transformou em Fundação Gilberto Freyre, onde o turista pode saber tudo sobre a vida e a obra do sociólogo e escritor nascido em 1900 e falecido em 1987, fica na rua Dois Irmãos, 320, Apipucos, com visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Mais informações pelo telefone (81) 3441-1733.

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Comprinhas básicas

Redes, toalhas, peças em barro, bonequinhas da sorte... Se você quer trazer artesanato para casa não deixe de passar pela Casa de Cultura, ex-Casa de Detenção, cujas celas foram transformadas em lojinhas (primeiro e segundo pavimento). Pechinche porque, como em qualquer outro lugar do gênero, dependendo da cara do visitante, o preço sobe.

O antigo presídio foi transformado em centro cultural nos anos 70 e fica em um lugar estratégico, fácil de ser encontrado por quem vai e vem cruzando as pontes do Beberibe e do Capiberibe, os dois rios que cortam a cidade. Uma antiga cela foi mantida intacta para apreciação dos visitantes.

A Casa da Cultura fica na rua Floriano Peixoto, s/nº. Mais informações pelo telefone (81) 3224-1582.

Em Boa Viagem e na rua do Bom Jesus (Bairro do Recife), também funciona nos finais de semana feiras de artesanato.

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O Recife Antigo

É fácil chegar ao Recife Antigo, onde tudo começou, partindo da orla. Pegue um táxi e atravesse o rio Beberibe por uma das pontes que também são testemunhos históricos. Essa pequena ilha, localizada entre o rio e o mar, inspirou os colonizadores e conferiu uma intensa movimentação portuária, tornando-se assim o Marco Zero da cidade. Prédios, construções antigas, praças, torres e armazéns continuam ali impecáveis. É bem ali, na Rua Bom Jesus ou dos Judeus, como também é chamada, que fica a primeira sinagoga das Américas.

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O roteiro judeu

Recife é uma das poucas cidades no mundo que ainda guarda alguns dos mais importantes registros de uma forte comunidade judaica a partir do século 16. Comunidade esta que se fortaleceu na primeira metade do século 17, graças à liberdade religiosa no governo de Maurício de Nassau.

Nessa época foi fundada a Primeira Sinagoga das Américas (Sinagoga Kahal Zur Israel), hoje aberta ao pública na rua Aurora.

Com o retorno de Nassau para a Europa, em 1644, e reinício da discriminação religiosa, um pequeno grupo de judeus, 23 ao todo, foi obrigado a partir para os Estados Unidos. O episódio da expulsão dos holandeses é chamado de Restauração Pernambucana, capítulo histórico que completa 356 anos em 2010.

A odisseia dos judeus terminou na ainda desconhecida Ilha de Manhattan (Nova York). Há vários locais onde se pode percorrer esse passado por meio do roteiro Circuito Judaico, desenvolvido pela pesquisadora Tânia Kauffman.

Incluindo a sinagoga (que hoje abriga o Centro Cultural Judaico de Pernambuco e o Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco); a Ilha do Cheira Dinheiro (vista panorâmica e passeio nos arrecifes); Ponte Maurício de Nassau, a primeira ponte do Brasil, projetada e construída por um engenheiro cristão novo; Olinda (cidade que serviu de morada para grande número de cristãos novos) e Camaragibe, conhecida como Terra das Esnogas (sinagogas).

Como qualquer visita a Recife leva obrigatoriamente a Olinda (as duas são separadas e unidas por pontes), não deixe de subir a ladeira e visitar as marcas desse passado na Casa de Branda Dias, rua dos Palhares e Casa de Guarda, que abrigou uma milícia de soldados judeus integrantes do exército holandês.

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Mercado de São José

Se a sua meta for conhecer produtos típicos do Recife, vá ao Mercado de São José, localizado no coração da cidade. É parada obrigatória para se encontrar variedade de produtos e serviços. Seus 545 boxes têm de tudo: artesanato, folhetos de cordel, frutas, carnes, culinária local, artigos de umbanda e candomblé e até jogo de búzios e tarô.

O Mercado de São José foi inaugurado em 1875 e representa uma das principais construções do Brasil com toda a estrutura feita em ferro. A construção seguiu o modelo do Mercado de Grenelle, na França, e está localizada na praça conhecida como Praça do Mercado, onde se encontra a Basílica de Nossa Senhora da Penha (1870).

Com seus 127 anos de existência, o mercado é considerado o mais antigo em funcionamento da América Latina. O mercado fica na Praça Dom Vital, s/n, São José. Mais informações pelo telefone (81) 324-2322.

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