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As agruras dos professores aposentados

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Os presidenciáveis têm adotado em suas respectivas campanhas eleitorais o mesmo mote: prioridade à educação, saúde e segurança. Real e indiscutivelmente, educação, saúde e segurança constituem inadiáveis prioridades do país, no entanto, todos, indistintamente, referem-se às mesmas de uma maneira vaga, abrangente, sem abordar algumas metas e objetivos. Sei muito bem que é impossível descer a detalhes, mas alguns aspectos, dentro dessas três realidades, deveriam ser enfocados e enfatizados pelos candidatos, isto é, o que e como fazer. Qualquer cidadão, mesmo não sendo das áreas da educação, saúde e segurança, se entrevistado no “Fala-Povo” do JC terá condições de elencar as reais prioridades que, sem ser surpresa para ninguém, tem como básico e fundamental o dinheiro, recursos. Não se faz educação, saúde e segurança sem dinheiro; depois da intenção, é o principal. Porém, é necessário que seja investido honesta e racionalmente, pois é notório, fato detectado por quem entende, sobre desvio de verbas na aplicação agravado pela falta de racionalização, isto é, aplicando-o em “perfumes”, isto é, naquilo que não constitui prioridade. Como educador, vou ater-me ao meu campo que é o da educação. Muito embora não seja doutor em educação, considero-me dono de uma bagagem razoável sobre os assuntos desta área, conhecimentos estes conseguidos pela vivência de mais de meio século interagindo educação. Sempre comento que existe uma metáfora que se refere ao professor, pois ele nasce, vive e morre educação.

O leitor convirá comigo de que o objetivo primeiro e fundamental da educação é a sua universalização, isto é, educação para todos, zerar o analfabetismo, mas de bom para excelente nível. Somente a educação, a médio e longo prazo, poderá melhorar a cultura do povo promovendo a melhoria da qualidade de vida do brasileiro elevando-o aos níveis dos povos do primeiro mundo. Convenhamos, porém, que só dinheiro em espécie, o qual não é má-gico, não promoverá uma boa e excelente educação. É imprescindível o agente, o profissional, que é o professor de todos os níveis. Sem professor não acontece educação. Não será o robô, o computador e o virtual que irão substituí-lo. Pois estes apenas transmitem informações, instruem, mas não educam, pois educar é um ato de amor, acima de tudo. O professor interrelaciona-se com o aluno; transmite-lhe amor; amor que inexiste para o robô ou computador . Que o homem jamais se iluda com esta possibilidade. Lugar sacramentado na educação tem o professor, este abnegado profissional que está paulatinamente deixando de existir, pois o exercício dessa profissão não oferece mais atrativos apesar de dignificante. E por quê? Porque é mal remunerado, ganha absurdamente mal pelo que significa e faz, desestimulando o futuro colega. Este, inteligentemente, antevê o que lhe acontecerá quando se aposentar, como em nosso caso; a situação de milhares de colegas, pois estamos há 13 anos sem qualquer aumento e, o pior, sem perspectivas.

O professor aposentado significa um ícone para aqueles que optam pelo magistério, portanto a consideração, o reconhecimento do mesmo pelos governos – o que infelizmente não acontece - e a concessão de aumentos em suas aposentadorias para que condignamente vivam seus últimos tempos, indiscutivelmente, constituem, sim, investimentos em educação. Caso contrário, a realidade em que os mesmos vivem depois de tanta dedicação, idealismo e entusiasmo será um grande desestímulo para os futuros professores com repercussões negativas na educação do país, tanto no presente como no futuro.

O autor, Joaquim Eliseo Mendes,é professor

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