Política

Irineu pede revisão em modelo do SUS

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A penalização de unidades de saúde e das cidades do interior na questão do desenvolvimento econômico, foi duramente criticada pelo médico Irineu Cardoso, candidato do PP a deputado estadual. Para ele, é necessário uma revisão do modelo atual de repasse de recursos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e da política de pedágios do governo estadual, que desestimula a instalação de empresas na região. Em sua primeira campanha para a Assembleia, o médico intensificará os contatos políticos nas próximas semanas. “O que farei, se ganhar, é fruto de 30 anos de trabalho e educação que tive. Se não for eleito, continuarei fazendo o mesmo que antes, sem mudar uma vírgula”, pontua. Leia a seguir, trechos da entrevista de Irineu ao Jornal da Cidade.

Jornal da Cidade - O Estado tem adotado o modelo de Organização Social de Saúde para administrar algumas unidades. É uma boa saída?

Irineu Cardoso - Não é ruim, desde que seja uma instituição dirigida por pessoas qualificadas. Defendo uma análise rigorosa técnica de quem vai gerenciar a saúde e não a análise política. O funcionário de carreira do Estado é indicado mais por um modelos políticos que critérios técnicos. Ao se colocar um dirigente que não tem a familiaridade com a área de saúde, até ele adquirir essa familiaridade, o povo e o sistema sofrem. Por isso defendo o modelo de indicação por capacidade técnica e não só a de currículo, mas daqueles que, comprovadamente militam na área de saúde.

Jornal da Cidade - As unidades de saúde que atendem pelo SUS sofrem com a falta de verba. Como sanar esse problema?

Irineu Cardoso - Temos no meio da saúde dois meios de destino de verba: um fixo e um variável. O fixo é aquele que o hospital recebe todos os meses do governo. Ele pode pagar seus funcionários, seus fornecedores, faz a programação dentro de uma possibilidade de crescimento, ampliação. E isso não é verdade naqueles que recebimento variável. Se a cota do hospital é de 200 atendimentos por mês, ele vai receber por isso. Se fizer 300, entra no prejuízo. E se não fizer nenhum, não ganha nada. Esse modelo é penalizador. Ele diz ao hospital que pode trabalhar até um limite. Se trabalhar a mais eu te penalizo, se trabalhar a menos, também. É um modelo que não vejo nenhuma Justiça. Taí uma coisa que eu quero defender ferrenhamente na Assembleia é que os hospitais recebem uma cota baseada numa estatística prospectiva da população. Se Bauru hoje tem quase 400 mil habitantes, daqui 20 anos poderemos imaginar um milhão de pessoas. Então como vou manter e gerar recursos para um hospital e não atualizar isso por 20 anos?

Jornal da Cidade - Mas como chegar a isso sem onerar ainda mais os cofres públicos?.

Irineu Cardoso - Creio que num primeiro momento seria uma pactuação que o governo do Estado faria, de buscar recursos suficientes dentro das estruturas da nação. É como curar uma doença. Se você tem os seus proventos e acontece uma acidente, é lógico que as finanças servem para sanear esse problema imediato. E com o gerenciamento programado e continuado, com um plano de vigilância mais próximo das administrações, não haveria a necessidade de que o hospital contratasse dívidas, que a população pagasse pela falta de atendimento. Os recursos saem, para que se faça a compra da saúde. Nessa situação, o governo é onerado no início e depois é beneficiado, pela redução de urgência e emergência.

Jornal da Cidade – E na questão do desenvolvimento econômico do interior, o que falta?

Irineu Cardoso - Queremos o crescimento num todo, que tem um preço a ser pago. Se for rápido e desordenado, teremos favelização, déficit de saneamento, de fornecimento de água, falta de vagas em escolas e saúde e segurança adequada para a população crescente. Mas para trazer renda para acidade é preciso tirar a penalização que há atualmente para a instalação de empreendimentos na região. E muito é posto em razão da política de pedágios instituída pelo PSDB. O governo Paulo Maluf, do PP, construiu 10 mil quilômetros de rodovias e o PSDB colocou 250 praças de pedágio em cima delas. Precisamos de um projeto de lei que prestigie indústrias, transportadoras e até o deslocamento de turistas, de uma forma que o dinheiro gasto em pedágio seja revertido em crédito. Eu sei de casos de transportadoras de Bauru que gastam em um mês R$ 250 mil só em pedágio. Este modelo de penalização do Interior, principalmente nos eixos Rondon-Castelo e Anhanguera é fruto direto do governo do PSDB, apoiado por seus deputados e políticos. E o governo Lula nada fez para reverter a situação, como se houvesse uma convivência pacífica.

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