Há tempos esperando que a avenida Orlando Ranieri, principal via de acesso ao Parque das Camélias, em Bauru, fosse recapeada, os moradores da região assistiram perplexos um trecho ser recuperado “pela metade”. Cinco veículos, incluindo um caminhão de pequeno porte, estacionados na altura da quadra 8 da via, impediram o recape completo. Sem achar os donos dos veículos para retirá-los do local, a empreiteira colocou a camada de asfalto novo contornando os carros e o caminhão.
O resultado: uma quadra recapeada, mas com espaço de vários metros de comprimento na largura de um carro com asfalto velho e desnível. O trecho terá de ser recapeado posteriormente, mas poderá ficar no local uma emenda.
De acordo com Abdalla Farha Neto, engenheiro da empreiteira H. Aidar Pavimentação e Obras, contratada pela Prefeitura de Bauru para fazer o recape na avenida Orlando Ranieri, ele mesmo avisou os condomínios residenciais, escolas e estabelecimentos da região que o trecho passaria por obras e, por isso, veículos não poderiam ser estacionados no local. “Mas isso não foi cumprido”, reclamou.
De acordo com Abdalla, antes que as máquinas chegassem ao trecho onde os veículos estavam estacionados, ainda procurou os donos dos carros e caminhão. “Perguntei nas redondezas e aos porteiros do condomínio, mas ninguém sabia. Pouco antes de começarmos o serviço chegou um dono, mas ainda restaram cinco veículos”, comenta.
O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, explicou que os veículos em questão não poderiam ser guinchados porque estavam devidamente estacionados. “Já aconteceram situações semelhantes em que o asfalto foi feito em volta do veículo porque o dono não apareceu. E depois a empresa que fez a pavimentação voltou para cobrir o local não asfaltado”, explicou.
Remendo
Quando os veículos forem retirados do local onde estão estacionados, os buracos que ficaram em relação ao desnível do asfalto antigo e o novo serão preenchidos com a mesma pavimentação que foi feita na via toda, garante a empreiteira. “Nós teremos que retornar aqui com máquinas pesadas como o rolo pneu, o rolo chapa e outras que precisam ser conduzidas com carreta por causa desses buracos que ficaram”, salientou Abdalla.
Para o secretário de Obras, não haverá problemas em emendar dois trechos de recape. “Não causa infiltrações nem outros problemas. E se isso acontecer, as empreiteiras têm um contrato que prevê cinco anos de garantia contra danos como esses”, afirmou Areco. Segundo ele, as oito quadras da Orlando Ranieri foram recapeadas ontem.
As outras duas empresas contratadas pela prefeitura para recape asfáltico, a Jaupavi Terraplanagem e Pavimentação e Fortpav Pavimentação e Serviços, informaram não ter enfrentado problemas semelhantes com carros estacionados.
____________________
Em outro trecho, árvores
são podadas sem permissão
A empreiteira Jaupavi Terraplanagem e Pavimentação foi advertida pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) na tarde de ontem após ter podado irregularmente três árvores na calçada entre as quadras 3 e 4 da rua Rio Branco, Centro de Bauru. A justificativa da empresa, segundo Alessandra Pinezi, diretora do Departamento de Zoo-Botânica da Semma, foi de que a poda era necessária para que as máquinas do recape asfáltico da via pudessem passar.
Entretanto, antes que a Semma soubesse da poda, Vilma Nogueira Sobrinho, 73 anos, moradora da via, tentou evitar o corte de galhos das árvores. “Eles chegaram e cortaram a árvore com um facão. O meu resedás tinha 10 anos e estava todo florido. Eu pedi para que eles não podassem, mas eles fingiram que não me ouviram”, relatou Vilma com lágrimas nos olhos.
Moradora da rua desde que era criança, ela contou que ficou ao lado das árvores para que outras não fossem podadas. “Eu fiquei aqui e mesmo assim eles retiraram uns galhinhos das outras. Mas não podaram como fizeram com esta”, relata.
Na quadra 4 da mesma rua, há outra árvore de grande porte podada. “Quando saímos de casa já vimos os galhos caídos”, afirmou a moradora Isabete Aparecida Cremasco. Sem se identificar, um funcionário da empresa de pavimentação disse que tinha autorização da prefeitura para fazer a poda.
Um técnico da Semma foi até o local e avaliou que as podas foram feitas da forma correta, apesar de sem autorização da pasta. “Eu avisei que eles (empresa) não deveriam ter feito isso sem autorização e que serão advertidos por isso. A empresa só não será multada porque a poda foi regular. Se fosse drástica, seria passível de multa”, finalizou Alessandra.