Internacional

Bento XVI admite que Vaticano demorou a agir contra pedofilia


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Londres - As autoridades da Igreja Católica não foram vigilantes o suficiente e não souberam agir com decisão e rapidez nos casos de abusos sexuais cometidos contra crianças por padres católicos.

Foi com esse discurso que o papa Bento XVI chegou ao Reino Unido para uma visita de quatro dias. É a crítica mais dura já feita pelo pontífice à igreja que chefia.

“Eu devo dizer que essas revelações foram um choque para mim e uma grande tristeza. Tristeza também porque as autoridades da Igreja não foram suficientemente vigilantes nem rápidas e decisivas para tomar as medidas necessárias”, disse.

Bento XVI chamou a pedofilia de “perversão” e disse que é necessário deixar aqueles que sofrem “dessa doença” o mais longe possível de suas possíveis vítimas, uma vez que o “livre arbítrio não funciona” quando a pessoa está acometida deste mal.

O papa falou sobre os abusos de crianças durante entrevista a bordo do avião que o levou da Itália para a Escócia, onde começou sua visita. Ele não foi surpreendido pelo assunto, ao contrário, decidiu falar sobre ele. As perguntas haviam sido passadas por escrito antes e ele escolheu quais responder.

A intenção talvez tenha sido dar uma resposta aos que planejam protestos durante a visita contra a atitude da Igreja nos casos de abusos. Vítimas acusam o Vaticano de ter acobertado os casos e protegido os molestadores. O papa afirmou que a missão da Igreja é ajudar as vítimas dos abusos a se recuperar dos traumas e reencontrar a fé em Jesus Cristo.

Ateísmo e nazistas

Bento XVI foi recebido logo cedo pela rainha Elizabeth II, que lembrou dos laços que unem a Igreja Católica e a Igreja Anglicana, criada no século XVI por uma desavença entre o então rei inglês, Henrique VIII, e o papa.

Em seu discurso, Bento XVI elogiou a luta dos britânicos contra a “tirania nazista que queria erradicar Deus”.

Disse que agora é hora de lutar contra o o ateísmo extremo e o secularismo exagerado que novamente ameaçam o mundo.

No fim da tarde, o papa rezou uma missa em Glasgow para cerca de 65 mil pessoas. Número muito menor que o esperado pelos organizadores, que colocaram à venda 100 mil ingressos.

Essa é a segunda visita de um papa ao Reino Unido. A primeira foi em 1982, quando João Paulo II atraiu muito mais atenção.

Pessoas ligadas à Igreja Católica afirmam que não se trata de desprestígio da Igreja, mas que os tempos são outros e que Bento XVI tem um estilo mais reservado, e menos atraente, que seu antecessor no cargo.

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