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UE notifica o Brasil sobre retenção de 20 toneladas de carne


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O Ministério da Agricultura informou ontem que foi notificado nesta quarta-feira pela Direção-Geral de Saúde e Consumidores da Comissão Europeia (DGSanco) sobre a retenção de um lote de 20 toneladas de carne termoprocessada com quantidade de vermífugo acima do limite aceito pelo bloco.

O produto tem origem em uma planta de Lins (102 quilômetros de Bauru), segundo o ministério, que não identifica a empresa. Fontes, no entanto, confirmam que se trata da unidade de Bertin, atualmente incorporada ao grupo JBS.

O JBS, por sua vez, apresentou problema semelhante com os Estados Unidos, em maio último. Desde então, toda a carne cozida vendida para o país está suspensa. Segundo previsão feita ontem pelo JBS, as exportações devem ser retomadas a partir de outubro.

O ministério não indicou a expectativa da volta das vendas, pois quer aguardar a sinalização a ser dada pela missão norte-americana, que está no Brasil desde o início do mês para inspecionar os frigoríficos. As visitas estão previstas para se estenderem até quarta-feira da semana que vem.

O ministério, segundo a assessoria, conseguiu um comprometimento das principais empresas exportadoras de passaram a adotar os trâmites já acertados para retomar as vendas aos Estados Unidos com os países da União Europeia (UE).

Investigação

Ontem mesmo, o Ministério da Agricultura repassou a notificação à empresa e abriu um processo de investigação. A alegação do frigorífico, segundo o Ministério, é a de que a carne embargada pelo bloco foi produzida em junho, portanto, antes do plano de ação adotado pelas empresas que querem voltar a vender para os Estados Unidos, em conjunto com o ministério.

O plano de ação teve início na segunda quinzena daquele mês e conta com itens como conscientização de pecuaristas sobre o prazo de carência entre a aplicação do vermífugo e o abate do animal e maior rigor nas análises.

Antes do problema com os Estados Unidos, o Brasil fazia parte da lista automática de venda para aquele país. Assim, tendo o aval do Ministério da Agricultura brasileiro, o produto tinha livre entrada nos Estados Unidos.

Por conta da alegação do frigorífico em relação à data, a assessoria informou que a Pasta não trata do caso como “mais um” episódio sobre o problema. O ministério avalia o tema como um problema pontual e descarta a análise de que se trata de um risco sistêmico.

Por enquanto, não há intenção de suspender as exportações dessa ou de qualquer outra planta para a Europa, assim como foi feito, inicialmente por iniciativa do governo brasileiro, mas que agora depende da aprovação americana, no caso dos Estados Unidos.

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Reclamação

A reclamação da União Europeia (UE) foi a de que o lote de 20 toneladas de carne termoprocessada apresentou o vermífugo ivermectina acima do limite estabelecido pelo bloco (que é o mesmo dos Estados Unidos) de 20 partes por bilhão (ppb). No Brasil, a tolerância a esse produto é de 100 ppb, de acordo com normas estabelecidas internacionalmente.

O ministério também evita dar ao episódio um tom político e, portanto, não quer indicar o caso como uma ação protecionista por parte dos importadores.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina. O País vendeu no ano passado 1,2 milhão de toneladas do produto, dos quais apenas 163 mil foram de carne termoprocessada. Além de Estados Unidos e União Europeia, o Brasil vende esse tipo de carne para outros países, como Reino Unido e Cuba, por exemplo.

A DGSanco confirmou à reportagem ontem que 50 toneladas de carne brasileira foram rejeitadas pelo bloco europeu esta semana por causa da presença de ivermectina.

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