Cultura

‘Os Cariocas’ retornam hoje a Bauru

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Não será a primeira vez que o público de Bauru e de toda a região terá a oportunidade de conferir o mais novo trabalho de um dos mais antigos conjuntos vocais do Brasil. Depois de passarem pela cidade em março, Os Cariocas retornam a Bauru com o disco “Nossa Alma Canta”, agora em apresentação gratuita.

Severino Filho (arranjos, primeira voz e piano), Hernane Castro (segunda voz e bateria), Neil Teixeira (terceira voz e contrabaixo) e Elói Vicente (quarta voz e violão) sobem ao palco do Serviço Social do Comércio (Sesc) hoje, a partir das 20h.

Oitava formação

Segundo lançamento dessa que é a oitava formação de Os Cariocas (o primeiro foi “Bossa Carioca”, de 2004), o novíssimo “Nossa Alma Canta” traz canções de Carlos Lyra, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Marcos Valle e Chico Buarque, além do clássico “Rapaz de Bem”, de Johnny Alf.

Além das canções do disco, não devem ficar de fora do repertório desta noite as músicas que fizeram sucesso ao longo dos 62 anos de estrada dos Os Cariocas como “Samba do Avião”, “Minha Namorada”, “Ela é Carioca” e “Garota de Ipanema”.

Origem

Os Cariocas cantavam em festinhas da vizinhança no bairro da Tijuca, quando participaram do programa de calouros “Papel Carbono”, pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, vindo a obter o segundo lugar. Em 1946, um teste na rádio incluiu o conjunto em um programa musical chamado “Um milhão de melodias”. O grupo sobressaiu-se pela mistura de polifonia e efeitos rítmicos, que era diferente da dos conjuntos de sucesso na época.

Sua primeira gravação foi um disco de 78 rpm, com as músicas “Adeus América” (Haroldo Barbosa/Geraldo Jaques) e “Nova Ilusão” (José Menezes/Luís Bittencourt). Na gravadora Continental, foram levados a gravar “Born too late”, “Chá-chá-chá baiano” e “Always and forever”, canções que não pertenciam ao estilo do conjunto.

Num dos lados desse 78 rpm, colocaram a música “Chega de Saudade” (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) e foi com esta melodia que Os Cariocas fizeram sua entrada definitiva na bossa nova.

O grupo ficou separado por mais de 20 anos. Romperam na sequência do lançamento do LP “Passaporte” (1966) e retornaram para gravar o CD “Minha Namorada” (1990). Desde então, lançaram seis álbuns.

“Quando a bossa chegou, nós já fazíamos arranjos arrojados, assimilando facilmente o novo movimento”, afirmou o veterano músico Severino, 82 anos, em entrevista realizada durante última visita do a Bauru.

Na ocasião, o conjunto comentou também não estranhar o número de apreciadores que eles e a bossa nova continuam a atrair.

“A bossa nova tem um público fiel, ávido por essa música. É um público que nem aumenta nem diminui muito, é perene. E, ao contrário do que muitos possam imaginar, o público jovem também comparece aos shows. Gostam do som mesmo sem ter vivido na época que o movimento estourou”, avaliou Neil.

Serviço

Os Cariocas fazem show hoje, às 20h, no Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). A entrada gratuita. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3235-1750.

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