Tem certas coisas que acho impossíveis de acontecer, mas acontecem. Em abril de 2009 fui juntamente com uma delegação do bairro V. Engler/ Jardim Contorno para uma reunião com o sr. prefeito reivindicar o asfaltamento das ruas do bairro, onde diversas empresas comerciais e industriais estão localizadas, a minha inclusive. A promessa foi de que no segundo semestre de 2009 daquele ano seria aplicado o chamado asfalto comunitário, em que os proprietários dos terrenos arcariam com 75% do custo e o restante seria bancado pela Prefeitura. Para que o asfalto fosse feito, precisaria ter um mínimo de 75% de adesão.
Mobilizamos-nos para conseguir as assinaturas necessárias, junto a uma imobiliária da cidade. Em agosto de 2010, um ano e meio após a reunião na Prefeitura, chegaram as máquinas e iniciaram os trabalhos. Achei que agora teria asfaltada a frente dos dois galpões que ocupamos e termos condições para trabalhar, produzir e receber clientes e fornecedores. Acreditem que o asfalto chegou até a esquina e parou, deixando-nos com a única quadra de terra batida da região, por falta de adesão de dois proprietários de terrenos baldios e abandonados, um em cada esquina e de um pequeno conjunto de apartamentos. Como ficamos sabendo depois, eles se recusaram a assinar o termo por não haver interesse da parte deles, sem levar em conta todas as facilidades de pagamento oferecidas pelo programa comunitário, valorização de seus imóveis, muito menos o interesse coletivo. Estamos aqui na R. Jorge Pimentel, quadra 10, para quem quiser ver. Não preciso citar nomes, mas na Jalovi não compro mais nada e proibi meu comprador de fazer qualquer pedido de material lá.
As máquinas já estavam aqui, toda a infraestrutura colocada, só que os espe-culadores não pensam nos outros, só em deixar o terreno parado e valorizando. Os demais proprietários e inquilinos estão revoltados com a situação de ficar apenas uma quadra por fazer, sem que a Prefeitura tome a liderança, mande fazer e envie a cobrança. O que falta afinal? Seriam argumentos jurídicos, blábláblá político, postura administrativa, “cojones”? Sei que a licitação previa isso, mas uma quadra, onde fica o bom senso? Como fica a cidade como esta colcha de retalhos, onde se anda uma quadra de asfalto e duas de terra, por puro individualismo de alguns? Onde fica o respeito pelos industriais que insistem em produzir e gerar emprego aqui em Bauru? As ruas e avenidas do centro estão sendo recapeadas (duvido que seja asfalto comunitário e sim público) e nós ficamos aqui no sítio com poeira, terra, buracos e sujeira. Qual o interesse em manter uma indústria nesta cidade? Se a Prefeitura quer que saiamos, não tem problema. Tenho recebido diversas propostas de Piratininga, Agudos, Garça, Pederneiras, Lençóis Paulista, só para listar as mais próximas. Seria uma pena gerar renda, impostos e empregos em outra cidade porque aqui não tem interesse em nossa atividade. Não queremos benesses do governo. Mas não pensarei duas vezes em sair, se continuar sendo desrespeitado.
O autor, Marcos Camerini, é engenheiro, diretor geral da Tryor Equipamentos Especiais Ltda, colaborador do JC na coluna “Dr. Automóvel” - no AutoMercado