Economia & Negócios

Rendimento da categoria é superior ao valor médio dos trabalhos domésticos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

No caso específico das diaristas, o crescimento dos rendimentos chega a ser ainda superior à média das demais trabalhadoras domésticas. Sílvia Maria Fernandes, 60 anos, por exemplo, reajustou o valor de suas faxinas em 25% entre 2009 e 2010. Segundo ela, o aumento acompanhou o que se verificou no mercado no último ano.

“O que eu cobro é o que todo mundo cobra. Há 15 anos, eu trabalhava de domingo a domingo, então ganhava bem mais, mas hoje trabalho menos”, conta ela, que embora ainda more em casa de aluguel, conseguiu criar três filhos sozinha e ainda pagar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para garantir sua aposentadoria.

“Não é fácil manter tudo, então, não vou poder viver apenas do dinheiro dessa aposentadoria, que devo conseguir no ano que vem. Mas trabalho desde os 8 anos e continuo amando o que faço”, comenta.

O entusiasmo com o futuro da profissão é tamanho que Vera Lúcia Dias, 44 anos, negou uma proposta recente de emprego com carteira assinada para poder continuar atuando como diarista. Por mês, ela não ganha menos do que R$ 1 mil e, ainda que o serviço seja árduo e as dificuldades sejam muitas, não pretende buscar outra forma de ganhar a vida.

“Não tenho uma série de garantias trabalhistas, faço serviço em seis casas, todos os dias da semana, o dia inteiro. E, no fim-de-semana, também tenho que limpar a minha. Mas ainda assim é mais vantajoso”, pontua.

De maneira geral, a boa remuneração diante da alta demanda compensa o fato de as diaristas não poderem contar com a segurança do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a estabilidade no emprego, na avaliação do economista Wagner Ismanhoto.

“Tem muito mais gente querendo contratar do que gente disponível para ser contratada. Por isso, elas preferem, cada dia mais, atuar como diaristas. Se forem boas profissionais, serviço nunca vai faltar”, finaliza.

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