Berlim - A polêmica instaurada na Europa com a decisão da França de repatriar ciganos sofreu uma escalada ontem, lançando o presidente Nicolas Sarkozy contra a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, que se viu obrigada a negar a afirmação feita pelo líder francês de que o governo alemão também pretende desmantelar acampamentos de ciganos.
A tensão, que acabou ofuscando um encontro da União Europeia realizado anteontem, inflamou as já tensas relações entre os dois maiores países do bloco, cujos estilos antagônicos muitas vezes levam à fricção, ainda que ambos sejam conservadores.
Sarkozy afirmou, durante o encontro, que ele contava com o apoio de Merkel na disputa com a Comissao Europeia, que acusa o governo francês de romper com a legislação da União Européia ao enviar migrantes ciganos de volta para a Romênia e a Bulgária. Um alto oficial da União Europeia chegou a citar as perseguições nazistas aos ciganos.
A Alemanha negou que Merkel tenha feito tal afirmação e autoridades do governo fizeram de tudo para refutar os comentários de Sarkozy, procurando, ao mesmo tempo, conter possíveis estragos à relação franco-alemã, que constitui o núcleo da União Européia.
O tema dos ciganos é historicamente sensível na Alemanha e foi exacerbado após a comissária de Justiça Europeia, Viviane Reding, ter feito alusões à perseguição a ciganos cometida pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.