Regional

Potunduva tem duas passagens de nível


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Na noite do dia 15 de junho um jovem de 19 anos e sua acompanhante de 17 anos por pouco não foram protagonistas de uma tragédia no cruzamento da vicinal José Maria Verdini com a linha férrea, próximo à venda seca do distrito de Potunduva, município de Jaú (47 quilômetros de Bauru). Os dois ocupavam uma moto que foi atingida por uma composição férrea, mas o casal conseguiu saltar do veículo antes dele ser atingido.

As cenas e o barulho do trem arrastando a moto ainda estão ‘frescas’ na cabeça do morador Felício Timóteo, que mora há 11 anos no Sítio São José, a 20 metros do local. “O trem apita e vem devagarinho, mas as ‘conduções’ não respeitam e passam. É quando acontecem os acidentes”, relata com simplicidade o morador.

Para ele, falta educação aos motoristas e providências das autoridades. “Seria preciso instalar uma porteira, mas quando eles instalam, o povo quebra. Até a iluminação pública foi toda estourada. Os fios ainda estão pendurados.”

Timóteo lembra que antigamente ele ligava para um eletricista que vinha fazer o conserto da iluminação. “Foi ele que deixou o telefone para eu ligar. Depois mudou a pessoa que fazia o reparo. Da última vez que liguei, a pessoa até me destratou. Não ligo mais.”

Segundo ele, embora a área esteja sinalizada, a falta de iluminação pública prejudica a visibilidade no período noturno. “São inúmeros os acidentes. Muitas vezes estou dormindo e ouço o barulho. Já houve caso do trem descarrilar em função de acidentes. Os motoristas passam correndo, pensam que vai dar tempo de atravessar e não conseguem.”

O barulho do trem que vai e volta sempre durante a madrugada não incomoda Timóteo, que só acorda quando há acidentes. “Mora aqui há bastante tempo e já me acostumei com o barulho do trem. Mas acordo e pulo da cama quando ouço o trem arrastando algo e tentando frear. Sempre penso que ainda vai acontecer uma tragédia.”

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Moradora acha que é preciso educar população antes da instalação da cancela

Nilda Lucena mora há mais de 10 anos no Distrito de Potunduva. Sua casa fica a menos de 30 metros de uma das passagens de nível urbana, logo na entrada da cidade. Ela acha que o local oferece perigo. “Tenho que ficar de olho nos meus netos. Aqui já morreu gente atropelada por trem, embora não exatamente aqui.”

A moradora lembra que há mais ou menos um ano uma composição atropelou um ônibus de trabalhador rural. “Foi durante a madrugada. Embora não tenha causado feridos graves e nem mortes, assustou os ocupantes do veículo.”

Na opinião dela, a passagem de nível está abandonada. “Não tem ninguém disciplinando o trânsito.” Ela observa porém, que quando tinha cancela o problema era outro. “Os moleques mexem. Colocam tampinha de garrafa no dispositivo e trava. Ela fica apitando o tempo todo e ninguém dorme.”

Para ela é preciso educar a população e colocar a cancela a fim de evitar acidentes mais graves como ocorreu recentemente em Americana causando mortes. “Principalmente agora que o trem passa toda hora. Eles estão puxando açúcar da usina.”

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Família que mora na antiga estação ferroviária teve o filho atropelado

Uma mulher que preferiu não ser identificada perdeu um filho para a ferrovia. Saindo de uma depressão após a perda, a mãe explica que o local é bastante perigoso em função do transporte de açúcar pela ferrovia. “Todos os dias em mais de um horário, há trânsito de trens.”

O filho dela era portador de uma doença mental e mesmo depois de muitos cuidados, acabou entrando na área proibida e foi atropelado pela composição. “Quem mora aqui tem que ficar 24 horas cuidando das crianças para não virar vítima.”

Telma Regina Vieira dos Santos, que também mora nas proximidades da antiga estação, conta que tem três filhos. “Eles ficam trancados dentro de casa. Eu só abro a porta quando vou sair com eles. Todos são menores de cinco anos. Eu tenho medo.”

Ela lembra que são 12 famílias que moram naquele local e que todas elas têm a mesma preocupação. “Na maioria são trabalhadores rurais. Meu marido, por exemplo, trabalha no corte de cana.”

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Avaí aguarda reunião para dar início a uma campanha de conscientização

Em junho deste ano um auto de linha da América Latina Logística (ALL) colidiu em uma caminhonete e feriu levemente seis pessoas em Avaí (39 quilômetros de Bauru). À época, o prefeito Paulo Sérgio Rodrigues (PSDB) prometeu tomar providência quanto a passagem de nível existente na estrada vicinal Sebastião Bressan, entre a cidade e o distrito de Nogueira. A administração aguarda reunião com a ALL para disparar uma campanha de conscientização, uma vez que a cancela tem um custo inviável para a prefeitura.

A informação é do chefe do gabinete, Vinícius Neves Iunes. Segundo ele, a campanha está com vários itens pré-definidos. “Vamos envolver a Polícia Militar e outras entidades do município para conscientizar a população. Vamos distribuir panfletos.”

Iunes enfatiza que essa foi a solução encontrada pela administração pública, uma vez que uma cancela eletrônica tem um custo aproximado de R$ 200 mil. “A ALL não instalada e alega que a obrigação é do município que não tem esse valor para investir em uma cancela.”

A passagem de nível existente na vicinal de Avaí é sinalizada, porém, mesmo assim registra acidentes como o ocorrido em junho quando o condutor da caminhonete, Valmir Mariano, 42 anos, ficou preso nas ferragens.

Na ocasião, o vereador Cícero da Silva criticou a falta de uma cancela ou obstáculo que poderia evitar o acidente. Segundo ele, a Câmara Municipal teria aprovado um requerimento, no início deste ano, pedindo a instalação do equipamento. “Este não foi o único acidente ocorrido aqui. As composições têm por obrigação apitar, mas muitas vezes não obedecem à norma.”

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Em Marília, prefeitura instala cancelas, mas os trens não estão em circulação

Na cidade de Marília (100 quilômetros de Bauru) a prefeitura instalou uma cancela para atender a uma exigência da ALL e conseguir autorização para remodelar a avenida Sanches Cibantos, saída para Tupã e Oriente. O equipamento não está em atividade e sua aquisição criou um impasse para a prefeitura. A empresa que venceu a licitação entregou uma cancela fora dos padrões descritos no edital.

A assessoria de imprensa da prefeitura explica que a cancela foi instalada e desde então a administração pública tenta a troca. “Temos mantido contato com a empresa de Barueri para que faça a troca. Eles não entregaram o material contratado, aquele pedido na licitação.”

Por conta do impasse, a passagem está fechada pela ALL. “Os carros não conseguem passar. Só motos e bicicletas utilizam a passagem clandestinamente. Tem um processo em andamento contra a empresa.”, informa a assessoria.

A instalação da cancela, segundo a administração municipal, foi uma exigência da ALL para liberar a remodelação da via. “A empresa exigiu que a prefeitura fechasse uma das passagens de nível e tornasse uma outra que era clandestina em oficial. Em contrapartida, a ALL liberaria a alça de acesso da Sanches Cibantos. Tudo foi cumprido, mas houve o impasse do equipamento. Por conta disso, a passagem continua fechada.”

Além disso, segundo a assessoria, no município não circula trens há um ano. “A ALL utiliza a linha férrea da Alta Paulista. Quando a Cargill de Tupã faz escoamento de produtos, ela usa a linha férrea. Tirando isso não existe outro movimento. Há um ano não tem transporte férreo. O transporte via ferrovia é subutilizado.”

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Campanha de segurança

A ALL faz anualmente campanhas de segurança para conscientizar motoristas e pedestres sobre os cuidados para transpor a linha férrea. São distribuídos material informativo sobre os riscos de não obedecer à sinalização.

Cartilhas com linguagem lúdica são distribuídas para o público infantil. As campanhas são realizadas há nove anos e já atingiram mais de um milhão de pessoas. Neste ano, serão cerca de 80 cidades beneficiadas em todo o Brasil, segundo a empresa.

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