Regional

Passagem de nível preocupa várias cidades da região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Um acidente no início deste mês na cidade de Americana entre um trem e um ônibus com 22 passageiros se tornou manchete nacional e suscitou o problema das passagens de nível na área urbana. A colisão causou 10 mortos e 12 feridos, todos ocupantes do coletivo. O maquinista do trem não sofreu ferimentos, mas entrou em estado de choque.

O ônibus municipal da Viação VCA foi atingido em cheio pelo trem de carga e arrastado por cerca de 100 metros. O coletivo se partiu ao meio. A composição estava carregada de milho, soja e açúcar e pertence à América Latina Logística (ALL). A empresa se defendeu alegando que o Código de Trânsito reconhece a linha férrea como preferencial e transpô-la é considerado infração gravíssima.

As empresas concessionárias das ferrovias alegam ainda que a responsabilidade da sinalização e instalação de cancelas é dos municípios. Elas se resguardam com um Regulamento dos Transportes Ferroviários que estabelece , entre outras coisas, que como a linha férrea é anterior à passagem de veículo a responsabilidade é da administração municipal.

Na região de Bauru já foram registrados inúmeros acidentes. Em junho, dois deles foram notícia no Jornal da Cidade. No Distrito de Potunduva, o trem arrastou por 12 quilômetros uma moto. O acidente registrado por volta das 19h30 na vicinal José Maria Verdini só não se tornou uma tragédia porque o motociclista e sua acompanhante saltaram do veículo antes dele ser atingido pela composição que rebocava vários vagões.

Nesse caso, o motociclista, segundo o registro feito pela Polícia Militar, cruzou a passagem de nível e não percebeu a aproximação do trem, freou e saltou do veículo. Um morador das imediações, Felício Timóteo diz que o local é palco constante de acidentes.

No mesmo mês em Avaí (39 quilômetros de Bauru) uma composição férrea colidiu com uma caminhonete e feriu levemente seis pessoas. Na época, o prefeito garantiu que iria tomar providências com a passagem de nível existente na vicinal Sebastião Bressan, entre a cidade e o distrito de Nogueira. A administração municipal tenta disparar uma campanha educativa para minimizar a situação. O preço de uma cancela é inviável para a prefeitura.

Em Jaú (47 quilômetros de Bauru), a passagem de nível da rua major Ascânio, próximo ao loteamento Continental, também já teve acidentes. Não tem cancela e separa a área residencial da industrial. Em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), a passagem de nível da rua 15 de novembro, próximo ao numeral 742 está fechada.

Na cidade de São Manuel, a obrigação de colocar a cancela faz parte de uma lei municipal. Mas o executivo já cansou de notificar a ALL para fazer a instalação. O legislativo procurou a empresa, mas pretende buscar no Ministério Público a solução, uma vez que não há previsão para instalar o equipamento.

Já na cidade de Marília (100 quilômetros de Bauru), a prefeitura fez a licitação para a compra da cancela. A empresa vencedora entregou um produto fora das especificações do edital e um impasse foi instalado entre as partes. A passagem de nível está fechada e há um ano nenhum trem circula pela linha férrea.

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