Bairros

Zoonose: um perigo invisível

Da Redação
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Você pode não se dar conta, mas o simples ato de caminhar descalço pela areia de um parque ou alimentar os pombos que ‘alegram’ uma praça já é o suficiente para colocar a sua saúde e a de outras pessoas em risco. Isto porque, embora pareçam inocentes, tais atitudes podem ser a entrada para a instalação ou propagação de uma zoonose.

Em Bauru, as doenças transmitidas aos seres humanos pelos animais são bem mais ameaçadoras e frequentes do que se imagina. Os casos vão desde enfermidades simples, como as causadas pelo bicho geográfico, até variantes mais preocupantes, casos de raiva e leishmaniose, que podem ser fatais.

Mas embora os transmissores de zoonoses estejam espalhados por todo canto, prontos para atacar, eles poderiam ser evitados com medidas simples e eficientes de prevenção, em geral frutos de atitudes comunitárias.

E com a chegada da primavera, no próximo dia 23 de setembro, os cuidados precisam ser redobrados. Isto porque a estação apresenta características como a elevada umidade do ar e altas temperaturas, que criam um clima favorável à proliferação de insetos. Com o crescimento do mato, a combinação se torna para lá de perigosa.

O médico veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru, explica que a vinda de zoonoses para a área urbana, bem como sua propagação, são consequências das atitudes humanas.

“Digo isto porque são transmitidas por animais ou insetos que não são tipicamente urbanos, vieram para a cidade porque o homem interferiu em seu habitat natural: as florestas. Uma vez espalhados pelo município, a comunidade, mesmo sem ter a intenção, cria condições favoráveis de aumento deles”, aponta o veterinário.

Na lista de cuidados que devem ser tomados constam, entre outras coisas, a manutenção de casas, quintais e terrenos baldios sempre limpos; a necessidade de recolher fezes de animais, alimentos e frutas podres; a obrigação de manter o animal de estimação sempre no quintal, além de evitar contato e não alimentar pombos, cães e gatos vadios.

“Existe um grande número de animais que são reservatórios de zoonoses e têm contato frequente, de forma direta ou indireta, com o homem. Bons exemplos são cães, gatos, pombos, caramujos, ratos, além dos insetos. Se as pessoas fizerem sua parte, limpando seu bairro, meio caminho já está andado”, orienta Gonçalves Neto.

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Leishmaniose e raiva estão na mira

Elas são mortais, causam sofrimento às pessoas e aos animais e se propagam de forma rápida. Por possuírem estas características, a leishmaniose e a raiva estão na mira do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru.

Para se ter uma ideia da gravidade que a existência dessa dupla de doenças representa, de acordo com José Rodrigues Gonçalves Neto, médico veterinário e chefe do CCZ de Bauru, é por meio da comprovação de um determinado número de ocorrências de raiva ou leishmaniose que um município ganha o direito de abrigar uma unidade do CCZ.

Atualmente, os esforços do CCZ de Bauru estão voltados, principalmente, ao combate da leishmaniose, que afeta cães e humanos e teve seu primeiro registro na cidade em 2003. Justamente por ser recente, tem também muitos aspectos a serem estudados.

Em seu primeiro ano, a doença foi responsável por 528 eutanásias, a contaminação de 17 pessoas e um óbito. Já em 2008, estes números alcançaram o pico: 79 pessoas foram afetadas, nove morreram e 4.940 cães foram eutanasiados. Já neste ano, até o momento, 13 pessoas foram infectadas e ninguém morreu.

“A leishmaniose tem muitas razões para preocupar. A primeira é que, em animais, não tem cura; em humanos, pode levar à morte. Além disso, pouco se conhece a respeito da doença e do mosquito transmissor, o que atrapalha o desenvolvimento de tratamentos”, aponta Gonçalves Neto.

O fato de ser transmitida por vetores também é um agravante, já que fica impossível para a população identificar os mosquitos contaminados.

Quanto à raiva, Gonçalves Neto revela que, há algum tempo, o município não registra casos, porém, o estado de alerta é permanente, já que é uma doença mortal. Além disso, segundo ele, recentemente foi encontrado um morcego contaminado no município.

“Pouca gente sabe, mas os morcegos são os principais transmissores da raiva, superando até mesmo os cães. Na realidade, muitos cachorros são contaminados pela mordida do morcego e depois passam a doença para o humano”, explica.

Como forma de controle e prevenção, o município desenvolve programas de monitoramento, que recolhe amostras de animais e encaminha para análise. “Desta forma é possível traçarmos um panorama das zoonoses na cidade”, afirma Gonçalves Neto.

Além disso, campanhas de vacinação, ações voltadas para a conscientização da população sobre as formas de prevenção, a fiscalização e até mesmo medidas coercitivas fazem parte das ações de combate municipais.

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