A crise envolvendo negociações de possíveis acordos relacionados ao viaduto inacabado continua gerando reação entre os vereadores, sobretudo na oposição. Hoje, durante a sessão legislativa, os episódios devem continuar a repercutir na tribuna da Câmara.
A tentativa do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) de conciliar a participação de seu ex-secretário dos Negócios Jurídicos, Luiz Nunes Pegoraro, nas negociações envolvendo possível acordo em ações judiciais relacionadas ao viaduto inacabado, sobretudo a cobrança feita pela empreiteira Camargo Corrêa, as dúvidas geradas em torno do valor elevado da cobrança colocada sobre a mesa do Executivo e a estratégia de Agostinho de minimizar o termo de anuência que ele deu a advogado particular para encaminhar possíveis desdobramentos no Judiciário continuam em aberto.
Vereadores se mobilizam para exigir a apresentação de documentos pelo chefe do Executivo, enquanto outros consideram que Rodrigo Agostinho errou na condução do episódio e, também, na condução administrativa das consequências que ele está gerando junto a seus subordinados. Mesmo integrantes da base aliada consideram que o prefeito resiste em reconhecer que enfrenta problemas em seu secretariado.
A avaliação até ontem à noite era de que o prefeito tentou ganhar tempo e, sem dar explicações, escondeu fatos dos próprios vereadores em reunião ainda da semana passada. O fato de Agostinho não encaminhar documentos do episódio aprofundou as reações contrárias. A audiência pública marcada para a próxima sexta-feira, dia 24, muito distante dos fatos, pode esfriar o episódio, mas não resolver as feridas políticas abertas.
Outra reação que causou mau estar entre parlamentares foi a demora do chefe do Executivo em confirmar os erros na condução da negociação da dívida e, depois, no encaminhamento da crise, mesmo diante das revelações feitas pelo JC desde o início do caso, há pouco mais de 15 dias.
A reação de secretários e assessores contra a forma como Rodrigo conduziu a demissão de Pegoraro também está indigesta dentro e fora do governo. O prefeito ainda está sendo bombardeado por ter tentado minimizar a nota distribuída por aliados em reação à saída de Luiz Nunes Pegoraro do cargo.
A fritura interna e a não apresentação dos documentos relacionados às negociações das ações judiciais que envolvem a cobrança da Camargo Corrêa contra a prefeitura e da ação federal que aponta erro no cálculo da federalização do viaduto inacabado alimentaram o incêndio político interno.