Andou bem a direção do Santos Futebol Clube em aplicar as punições ao jogador Neymar. Confundindo irreverência com falta de educação, o atleta vinha colocando em cheque as orientações do técnico Dorival Júnior e até a postura de equilíbrio que a nova direção do clube vem adotando até então. Entendo que é de menino que se torce o pepino e que o atleta tem que entender que se não mudar suas atitudes, dentro e fora do campo, poderá deixar de ser uma promessa e se transformar num fracasso total.
Parte da culpa cabe à mídia que vem incensando em demasia, um garoto em formação e que não estava preparado para o estágio em que o elevaram. Por enquanto, na minha modesta avaliação, Neymar é um jogador como muitos que já surgiram no futebol brasileiro, e que se perderam em atitudes pouco recomendáveis. Ainda tem tempo de se desviar do caminho incerto, e passar a trilhar o caminho que outros grandes jogadores percorreram, que os colocaram no topo futebolístico mundial.
Neymar não é maior que o Santos Futebol Clube. Jogadores mais técnicos, mais talentosos passaram pela Vila Belmiro e jamais tiveram um comportamento igual ao dele. É o caso de Pelé, Mauro Ramos, Coutinho, Calvet, Rildo, Carlos Alberto, Pagão, Pepe e tantos outros. Irreverência é uma coisa e falta de educação é outra. Ofender o técnico e companheiros de clube em pleno jogo, diante de uma plateia que apenas foi lá para ver suas habilidades e seu talento, não é coisa de profissional. Ninguém paga ingresso para ver um atleta deselegante, que não vem jogando o que sabe e pode.
Ao tomar uma atitude para tentar conter a indisciplina do seu atleta, a direção do Santos apenas coloca seu funcionário no devido lugar. E não poderia ser outra a atitude a ser adotada. É certo que os cabeças de bagre que enfrentam o Santos estão usando e abusando das pancadas contra o jogador. Mas isso não é motivo para tanto espalhafato. O Pelé apanhou mais que ele vai apanhar em toda a carreira, mas agia de forma inteligente. Só quem viu, sabe do que estou falando. A verdade é que Neymar passou a ser um jogador marcado pelos adversários e árbitros de futebol, exatamente por suas atitudes dentro do campo.
Minha esperança é que Neymar avalie suas atitudes e, com a ajuda de profissionais da área de psicologia, possa se desviar desse tortuoso caminho que vem trilhando. Será bom para o Santos, para os amantes do futebol arte e, acima de tudo, será ótimo para sua carreira. Do contrário, ao persistir nessas atitudes de pura deselegância, em breve terá uma desvalorização de seu passe, e será mais um atleta promissor que fará parte da imensa galeria de promessas não cumpridas. Será uma pena se tal vier a acontecer.
O autor, Carlos Pinto, é jornalista