Política

Nicola Avallone Jr. morre aos 92 anos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O ex-prefeito de Bauru na década de 50 e duas vezes deputado estadual pela cidade Nicola Avallone Jr., o Nicolinha, como ficou conhecido, morreu ontem à tarde em sua casa, na cidade de São Paulo, onde morava há cerca de 30 anos. Aos 92 anos, ele vinha enfrentando vários problemas de saúde, incluindo crise renal, que se agravaram nos últimos dias, informou a família.

Economista de formação, Nicolinha é lembrado mais por sua atuação como prefeito do que a de deputado. Foi na gestão dele que a Prefeitura de Bauru construiu, com recursos próprios, o primeiro trecho da avenida Nações Unidas, que ia da altura da Vila Antártica até a avenida Rodrigues Alves.

Nicolinha se elegeu prefeito em 1955 numa acirrada disputa com o médico Nuno de Assis, apoiado pelo então prefeito Octávio Pinheiro Brisolla. “O primeiro trecho da Nações foi construído num verdadeiro mutirão. A obra teve a colaboração de empreiteiras”, lembra o historiador e editor do suplemento Bauru Ilustrado do JC, Luciano Dias Pires.

“Ele aproveitou o período de JK (Juscelino Kubitschek), de ideias desenvolvimentistas, e fez uma administração dinâmica, de muitas obras, como foi o viaduto JK”, cita o sobrinho bauruense Jair Avallone Nogueira, 81 anos, ressaltando que Nicolinha era um político que gostava de ir para rua, de conversar com o povo.

“Ele era muito estimado pelo povo. Na rua, o povo se dirigia a ele e ele conversava, recebia as pessoas em sua casa. Levava bola na periferia e saía jogando com a molecada”, completa. O viaduto JK, ressalta Nogueira, foi construído totalmente com recursos da prefeitura.

“Naquela época era muito diferente. Não havia financiamento público para este tipo de obra. Ele (Nicolinha) chamou o Murilo Maringoni, que era seu adversário político, para adaptar projeto do viaduto já existente de maneira a tornar a obra viável, que ficou a cargo da Construtora Paulista. A construtora, com medo de calote da prefeitura, exigiu três avalistas”, relembra Jair Avallone Nogueira.

Educação

Também teve forte atuação na área de educação. Foi na gestão dele que foram criadas as primeiras escolas municipais infantis, como a Stélio Machado, localizada na Praça Rodrigues de Abreu, e Pinóquio, que fica no Higienópolis.

“E ele batalhou bastante para trazer para Bauru a USP (Universidade de São Paulo). Queria também o curso de medicina em Bauru, inclusive tem projeto de lei de autoria dele aprovado neste sentido”, comenta Nogueira, lembrando, porém, que até hoje o curso ainda não foi implantado.

Também sobrinho de Nicolinha, o especialista em basquete Antônio Carlos Barbosa conta que ele se elegeu prefeito de Bauru com 33 anos e era, até então, o prefeito mais jovem de Bauru. Em São Paulo, morava com sua única filha, Patrícia, que lhe deu dois netos.

Barbosa informou que o corpo de Nicolinha deve ser cremado na Capital. Ontem à tarde ainda não estava definido se as cinzas do corpo serão ou não trazidas para Bauru.

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‘Cidade Sem Limites’

O slogan “Bauru, Cidade Sem Limites” ficou conhecido graças a Nicolinha, de acordo com Jair Avallone Nogueira, seu sobrinho. Ele lembra que Nicolinha, que era dono do extinto jornal Diário de Bauru, num aniversário da cidade fez publicar no jornal uma poesia do bauruense chamado Eusébio Guerra.

E uma das estrofes era “Bauru, Cidade Sem Limites”, a qual Nicolinha passou a citar com frequência. Foi quando, então, o slogan ganhou força, denotando que Bauru era uma cidade em desenvolvimento.

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Incentivador de esporte e lazer

Nicola Avallone Jr., o Nicolinha, também fez história como prefeito de Bauru pela sua atuação na área de esporte e lazer. “Foi na gestão dele que foram criados campeonatos de futebol dente de leite, na época em que surgiu o Pelé. E ele trouxe para a cidade grandes nomes da música brasileira da época, como Orlando Silva e Emilinha Borba”, frisa Antônio Carlos Barbosa, seu sobrinho.

Nicolinha não terminou o seu mandato, pois candidatou-se a deputado estadual e foi eleito em 1959 (o médico Luiz Zuiani, que era o vice, completou a sua administração), apoiou e conseguiu eleger Irineu Bastos para o cargo de prefeito.

Foi eleito deputado estadual em 1963. Em 1968, foi cassado. Depois disso, tentou novamente uma vaga para deputado estadual, em 1982, mas não foi eleito.

Morando há cerca de 30 anos em São Paulo, desde a época que era deputado, por um bom período Nicolinha ainda manteve domicílio em Bauru.

Mas já fazia tempos que não retornava à cidade onde está enterrada sua mulher, a professora Ada Cariani Avallone, que empresta seu nome a uma escola estadual localizada no Mary Dota.

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