Tribuna do Leitor

CONJECTURAS


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Eleições se aproximam. Candidatos surgem dos partidos de todos os matizes e ideologias. Programas de governo são sempre os mesmos das promessas anteriormente feitas e não cumpridas, ou seja, os brasileiros terão, gratuitamente, o melhor atendimento pelo sistema da “saúde pública”, aposentados serão tratados com dignidade, escolas serão cada vez melhores, com pro-fessores bem remunerados. A produção agrária vai crescer com a implementação da “reforma agrária” e a nossa indústria produzirá tanto que suprirá o mercado interno, invertendo-se assim o índice de importações pelas exportações ao mercado externo.

Empregos com “carteiras assinadas”, em que os salários serão tão valorizados a ponto de pro-porcionarem até o esvaziamento das prisões, uma vez que não valerá mais a pena roubar, ante às polpudas sobras pecuniárias obtidas com o salário pelo trabalho honesto. Os políticos, sempre de caráter impoluto e de inteira credibilidade, não mais precisarão se digladiar e se unirão sem-pre em caráter de urgência, para a aprovação de projetos que beneficiem estritamente o povo brasileiro. A Justiça voltará a ser célere, julgando com costumeiro acerto as poucas causas que restarão, eis que retornará o princípio da “palavra empenhada”, ou garantia pelo fio de barba, como se respeitava antigamente.

De repente, desperto de minhas lucubrações. Analiso as propostas e os candidatos: Puro vídeotape! Volto no tempo e no espaço. Lembro-me do tão reverenciado por uns e criticado por outros Karl Marx, quando se referiu ao “Ideal do Ser”: “Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao café, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc, mais economizas e mais cresce o teu capital. «És» menos, mas «tens» mais. Assim, todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça.”. “Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites.”

Interessante que o chamado pai do comunismo (ou socialismo) não tenha sido bem entendido na forma mais inteligente de interpretação de sua afirmativa. Note-se pela frase acima que Marx alerta para a imprudência humana de só procurar o “TER”, ao invés de cultivar o “SER”. Em seu entendimento, creio, procurou demonstrar que devemos viver de tal forma que dentro da normalidade de conduta humana, possamos crescer em conhecimento, moral e honestidade, sem nos preocuparmos em somente acumular coisas que proporcionem riqueza material em detrimento da conquista maior que uma pessoa pode obter, ou seja o saber, para poder viver em perfeita harmonia com seus semelhantes, sem causar qualquer prejuízo a quem quer que seja.

Ora, quem detém o conhecimento e o saber certamente se libertará das grandes chagas da humanidade: cobiça, ganância e o egoísmo. E entenderá o ensinamento do maior de nossos mestres, quando nos disse: “Buscarás a verdade e a verdade vos libertará” (Jesus). Bem apropriado aqui lembrar o refrão da música “Evolução”, autoria de Fábio Lima: “Me libertar do ter, me libertar do estar; agora eu sou o ser; o ser que vai amar”...

Evidentemente, nos libertando do ter e do estar estaremos nos mostrando como o “ser”. Ou seja, o que realmente somos, plenos de co-nhecimento e amor, para convivermos em harmonia e felicidade com os nossos semelhantes. E, por derradeiro, uma observação: ninguém precisa se importar se a Lei das “mãos limpas” se encontra ou não em vigor. Acredito que todos já conhecem e sabem quais são os candidatos dignos ou não de nosso sufrágio. Os antigos já diziam que “... a voz do povo é a voz de Deus...”

João José de Lima - Jota - advogado

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