A vice-prefeita e candidata pelo PT de Bauru à Assembleia Legislativa, Estela Almagro, espera colher nestas eleições os frutos do que tem plantado nos últimos três anos por todos os cantos do Estado. Estela, que tem focos de campanha “bastante razoáveis” em pelo menos 200 municípios do Estado de São Paulo, não teme que a pulverização seja prejudicial. “Posso dizer que nos quatro cantos do Estado de São Paulo temos sementes, que a gente espera que frutifiquem agora.”
Jornal da Cidade - A senhora estabeleceu um ritmo bastante intenso nesta campanha.
Estela Almagro - Está bem acelerado. É uma experiência nova essa campanha, porque é a primeira que a gente faz com um caráter estadual. Posso dizer que nos quatro cantos do Estado de São Paulo temos sementes, que a gente espera que frutifiquem agora. Basicamente, com dirigentes partidários, do movimento social, sobretudo do movimento de mulheres, de promoção da igualdade racial e da criança e do adolescente. Passei os últimos três anos consolidando esse trabalho. Antes mesmo de ter sido eleita vice-prefeita numa aliança inusitada, eu já vinha construindo Estado afora a perspectiva de candidatura à Assembleia.
JC - A senhora tem traquejo em campanhas. O que é diferente nesta?
Estela - Temos uma cidade grande, mas com uma característica política específica. Primeiro, o grande número de candidatos que saem em todas as eleições, o que pulveriza os votos, e depois a centralidade em torno de alguns candidatos. De qualquer maneira, o candidato, para ter uma base consolidade, tem que fazer a campanha em Bauru, mas buscar consolidar os núcleos de apoio em outros lugares também. Na região metropolitana de Campinas, por exemplo, temos campanha em 24 municípios.
JC - O foco, seguramente, não é Bauru e região, apenas.
Estela - Não. Nós temos campanha num raio de 100 quilômetros de Bauru mais pesadamente, com mais força do partido, de partidos aliados, de movimentos sociais organizados. Eu não tenho feito, nesses dias de campanha, menos do que nove a 12 reuniões por dia. Normalmente, seis, sete cidades todos os dias. E quando estou em Bauru, é muito intenso. Poderia dizer, sem medo de errar, que hoje nós temos focos bastantes razoáveis de campanha em pelo menos 200 municípios do Estado de São Paulo.
JC - A senhora não acha que uma pulverização grande demais prejudica?
Estela - Não, porque é essa hegemonia que a gente busca quebrar. Não está quebrada. Então, a gente busca sair daqui com uma base consolidada, que sairá. Sinto a campanha forte em Bauru. Estamos de porta em porta, com núcleos de apoiadores fazendo a campanha diuturnamente. Num raio de 100 quilômetros, temos campanha muito bem organizada em cidades como Jaú, Botucatu, Marília, Garça, Assis, Lençóis. Temos também campanha forte na Capital. São pelo menos 11 núcleos de apoio. Ou seja, nos últimos três anos, como dirigente estadual e como dirigente nacional do PT, viajei muito o Estado construindo relação política. Era o meu objetivo.
JC - O seu foco é a Assembleia, um pouco mais descolada do governo Lula.
Estela - Está no foco da preocupação do eleitor se ele está votando ou não no time do Lula. Nós, do PT, naturalmente aproveitamos isso. Não adianta dar para o técnico da Seleção Brasileira o time da seleção do Uruguai. O povo amadureceu e pensa em dar para a Dilma a sustentação de uma Câmara Federal e pensa em ter no Estado de São Paulo um time diferente desse que vem operando nos últimos anos. O Interior, sobretudo, se sente desassistido de políticas que primem pelo desenvolvimento sustentado. E o povo está esgotado com o modelo do deputado “trem pagador”, que faz campanha só com base nas emendinhas que faz para saúde, educação, asfalto. Varejinho não debate os grandes temas.
JC - Eleita deputada, qual deverá ser seu principal foco?
Estela - Quero estar muito presente e discutir temas que podem mudar a vida do povo. É triste ver que cerca de 60% da população sequer se lembra em quem votou para deputado estadual e federal. Acaba-se votando por protesto em quadros que por certo não contribuirão em nada. Dar para o cargo de deputado um papel que realmente ajude a politizar o debate e conscientize a população, para mim, é central.
JC - Como a senhora avalia o atual momento eleitoral?
Estela - Sou do time que coaduna que eleição só termina quando acaba. Eleição muda de um dia para o outro. Basta ver as pesquisas. No quadro nacional, é diferente do Estado. No nacional, a exceção da Marina, é uma eleição quase plebiscitária e sem candidatos competitivos. Então, devemos ter uma decisão pró Dilma já no primeiro turno. No Estado, quase todos os candidatos apostam no fim do modelo atual. O PT é um time de chegada, historicamente a gente ganha algo em torno de 5 a 6 pontos nos últimos dias. Portanto, acredito nos dois turnos e na aposta de um novo projeto.