Apontado como o provável candidato a deputado federal mais votado do Estado de São Paulo, Francisco Everaldo Oliveira Silva, mais conhecido como Tiririca, vem causando alvoroço no meio político. Alguns candidatos estão preocupados com a expressiva votação do humorista. Afirmam que ele está zombando da democracia. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, é exemplo de político insatisfeito com a irreverência de Tiririca. Paulo Skaf, que pleiteia o governo do Estado, apareceu em um de seus programas eleitorais fantasiado de palhaço. Outros também se manifestaram. Em vão, tentam demover os eleitores de votar em Francisco Everaldo. Tiririca ganhará, e com expressiva votação. Aliás, poderá levar para Brasília, de carona em sua propaganda “Pior do que ta não fica”, muitos outros. Lembram-se de Valdemar Costa Neto? Então, ele poderá estar na mala de Tiririca.
Pois é, a democracia tem dessas coisas. Podem chiar, chorar, espernear, mas terão que ver Francisco Everaldo de terno e gravata - ou sem gravata - perambulando por Brasília, porquanto esta é a vontade do povo.
O desespero dos políticos que em vão tentam demover o eleitor de votar em Tiririca demonstra um fator ignorado pelo cidadão: o poder do voto, da escolha, ou seja, a decisão está a critério do eleitor. Quando decidimos que alguém será conduzido ao poder nem o mais absurdo escândalo é capaz de impedir. Aliás, a história de nosso país registra essa máxima.
Entretanto, o poder de escolher se Tiririca vai ou não para Brasília é apenas uma parte de um conjunto denominado sociedade. O voto é importante, mas não é tudo.
Muito mais relevante do que eleger ou não Tiririca é refletir em nossa postura como componentes dessa imensa terra chamada Brasil. Muito mais salutar do que atirar pedras nos homens públicos é repensar atitudes.
Se queremos uma reforma moral dos políticos é melhor que comecemos a melhorar nossa própria conduta, porquanto nossos governantes refletem nossas tendências. Óbvio: eles saem do seio da sociedade.
É ilusório considerar que as mazelas sociais são culpa da classe política apenas, como é ilusório acreditar que algum político nos conduzirá com passe de mágica aos trilhos do equilíbrio social extirpando a ignorância, fome e pobreza.
O progresso é, portanto, uma construção coletiva, sendo a imagem de salvador da pátria um artifício para manipulação. Vote no candidato A, B ou C que ele resolverá! Nada disso! Conversa fiada.
Podemos protestar e votar no Tiririca ou qualquer outro, entretanto tudo continuará na mesma se ainda assim não modificarmos o comportamento.
Reformemo-nos intimamente e construiremos um Brasil melhor, mais justo, solidário e fraterno. Abdiquemos do egoísmo que ainda guia nossa conduta e contribuiremos para o progresso de nosso país. Agindo assim, “Melhor do que tá com certeza há de ficar”.
O autor, Wellington Balbo, é colaborador de opinião