Como cidadão cônscio dos meus deveres perante a Nação, sou obrigado a acreditar que todos os ministros do STF são pessoas íntegras e de caráter ilibado. É necessário que eu acredite na Justiça.
Entretanto, diante do resultado de alguns julgamentos e deste empate inacreditável no julgamento dos fichas limpas x fichas sujas, sou levado a deixar de lado as lindas ideias que tenho sobre o que deveria ser o STF e encarar a realidade que domina aquele orgão: o Supremo é uma instituição política, que pratica o bipartidarismo, onde uns são a favor do governo e outros são contra. Mas é algo sui generis, pois em certas ocasiões os que são a favor do governo podem passar para a oposição, e vice-versa, de acordo com os interesses do momento.
Os ministros do Supremo são indicados pelo presidente da República, que é aconselhado por alguns juristas que frequentam as rodas palacianas. O chefe da Nação recebe toda a sorte de pressão e aliciamento para nomear fulano, sicrano ou beltrano. A Justiça da República vive equilibrada na aresta vertiginosa de um fantástico toma-lá-da-cá.
Wilson Gordon Parker