Reunidos em assembleia ontem à noite, bancários de Bauru e região decidiram deflagrar greve por tempo indeterminado a partir de hoje em instituições financeiras públicas e privadas. Segundo o sindicato da categoria, a decisão foi tomada em nível nacional, mas somente no final do dia de hoje seria possível enumerar quais agências seriam fechadas no primeiro dia de paralisação, assim como precisar o nível de adesão dos funcionários. Ontem, no entanto, cerca de 150 bancários votaram, por unanimidade, favoravelmente ao movimento.
Assim como ocorreu no ano passado, sindicalistas deverão visitar parte das 53 agências e prédios bancários para tentar convencer os trabalhadores resistentes a engrossar o movimento. Além de Bauru, unidades de Avaré, Lençóis Paulista, Agudos e Santa Cruz do Rio Pardo também devem parar, ainda que parcialmente, as atividades.
“O volume de bancários em piquete nas agências dessas cidades nos dará uma ideia da força da greve neste primeiro dia, mas estamos bastante otimistas porque a assembleia teve uma participação muito positiva e a paralisação está sendo geral em todas as bases sindicais”, comenta Marcos Lenharo, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, entidade à qual estão vinculados aproximadamente 2.600 trabalhadores.
Até ontem, os sindicatos que integram a Conlutas e o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), assim como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), aguardavam uma contraproposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), o que não ocorreu até o início da noite. Por essa razão, a categoria decidiu cruzar os braços por tempo indeterminado.
O Sindicato dos Bancários de Bauru, filiado à Conlutas, defende 24% de reajuste salarial para toda a categoria e reposição integral das perdas salariais aos funcionários do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF) que, segundo a entidade, chegam a 90%. Além disso, a classe cobra melhorias no ambiente de trabalho, fim do assédio moral, contratação de profissionais, estabilidade no emprego e aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no lucro líquido da autarquia distribuído linearmente.
Em âmbito nacional, o Sindicato dos Bancários filiado à Contraf/CUT reivindica 11% de aumento salarial. Mas, em Bauru, segue a decisão da maioria dos bancários, vinculada à Conlutas. “Acompanhamos o calendário de Bauru, mas acreditamos numa reivindicação que seja coerente com a realidade do País. Claro que gostaríamos de um reajuste de 24%, mas é algo irreal. A categoria que conseguiu o maior reajuste nesse ano foi a dos metalúrgicos, de 10,9%”, frisa o diretor do sindicato pela CUT, Tadeu Aparecido Barbosa.
Até as 21h30 de ontem a greve já havia sido aprovada na maioria das capitais e principais cidades do País.
Às 19h de hoje, todas as correntes sindicais da categoria realizarão nova assembleia na sede do Sindicato dos Bancários para avaliar a evolução do movimento em âmbito nacional e definir pela manutenção ou suspensão da greve.
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Proposta de 4,29% da
Fenaban foi rejeitada
Como proposta, a categoria recebeu da Fenaban, para começar a negociação, uma oferta de 4,29% de reposição salarial correspondentes à inflação, com a promessa de chegar a um percentual final que corrigiria, com aumento real, salários, pisos, benefícios e PLR. No total, foram realizadas cinco rodadas de negociação e, de acordo com Barbosa, Bauru não participou diretamente de nenhuma delas.
“Como existe este isolamento em relação às reivindicações do resto do País, embora tenha direito, o sindicato preferiu não se sentar à mesa de negociações, infelizmente”, frisa. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Fenaban informou que aguardará o envio oficial de contraproposta dos bancários para voltar a manifestar-se.
Na avaliação do diretor Carlos Alberto Castilho, filiado à Conlutas, os bancos possuem totais condições de atender às reivindicações apresentadas pelos trabalhadores, já que registram lucros bilionários anualmente. “É uma proposta medíocre diante dos golpes que os bancários vêm sofrendo desde os anos 1980. Não só os banqueiros, mas principalmente o governo é responsável pelos avanços tímidos que a categoria tem obtido”, pontua.
Embora considere que os trabalhadores tenham sofrido derrotas sucessivas durante as últimas campanhas salariais, Castilho avalia que a organização dos bancários tem sido importante para uma série de avanços políticos da categoria. “De 2003 para cá, temos realizado greves históricas, como será esta, mais uma vez. Se não conquistamos o devido reconhecimento financeiro, a greve, ao menos, mantém nossa dignidade intacta”, salienta.