Economia & Negócios

Mais de 30 agências bancárias param

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 5 min

Ontem, muita gente que precisou de serviços bancários teve que reorganizar suas atividades diante da paralisação de mais de 30 agências em Bauru, onde os funcionários aderiram à greve iniciada nesta quarta-feira. Os dados são do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/Conlutas. Segundo a entidade, com exceção do Bradesco, as agências dos demais bancos (Banco do Brasil, Nossa Caixa, Caixa Econômica Federal, Itaú, Santander, Banco Real, HSBC, Safra e Mercantil do Brasil) estavam, em sua maioria, fechadas ontem.

Somando Bauru e as outras cidades atingidas pela greve, que são Agudos, Avaré, Fartura, Lençóis Paulista, Piratininga e Santa Cruz do Rio Pardo, são 79 agências ao todo. Dessas, 56 amanheceram fechadas no primeiro dia da mobilização da categoria - também conforme levantamento do sindicato -, o que significa 70,9% de adesão.

No País, a greve atinge 26 Estados e o Distrito Federal e não tem data para terminar. Os números mostram que a paralisação nacional neste ano ganhou mais força do que no ano passado. Foram fechadas pelo menos 3.864 agências em todas as Capitais e inúmeras cidades do Interior onde há instituições financeiras, além de centros administrativos de todos os bancos.

No entanto, esse balanço é ainda parcial e foi feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Mesmo assim, já é um índice de paralisação superior ao alcançado no primeiro dia da greve do ano passado, quando os bancários fecharam 3.585 agências no País.

Ontem houve assembleia informativa com os grevistas no Sindicato dos Bancários de Bauru e Região - entidade à qual estão vinculados aproximadamente 2.600 trabalhadores. “Para um primeiro dia de greve, constatamos uma adesão positiva da categoria em Bauru”, avalia Marcos Lenharo, diretor do sindicato.

“Essa forte adesão, em nível nacional, é fruto da última proposta de 4,29% de aumento que foi feita à categoria. Isso não cobre nem a inflação do período. É humilhante, é uma gorjeta. Para nós, só resta fazer greve diante dessa situação de descaso”, avalia.

Reajuste salarial

O Sindicato dos Bancários de Bauru filiado à Conlutas defende 24% de reajuste salarial para toda a categoria e reposição integral das perdas salariais aos funcionários do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF) que, segundo a entidade, chegam a 90%. Além disso, a classe cobra melhorias no ambiente de trabalho, fim do assédio moral, contratação de profissionais, estabilidade no emprego e aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no lucro líquido da autarquia distribuído linearmente.

Já o Sindicato dos Bancários filiado à Contraf/CUT reivindica 11% de aumento salarial. Mas, em Bauru, segue a decisão da maioria dos bancários, vinculados à Conlutas.

“Claro que gostaríamos de um reajuste de 24%, mas é algo irreal. A categoria que conseguiu o maior reajuste nesse ano foi a dos metalúrgicos, de 10,9%”, frisa o diretor do sindicato pela CUT, Tadeu Aparecido Barbosa.

Apesar das reivindicações salariais, a campanha busca denunciar também más condições de trabalho vividas pela categoria. “Hoje existe uma cobrança abusiva dentro dos bancos. Os funcionários são escravizados com metas a cumprir, situação que leva os bancários a desenvolverem certas doenças, como depressão”, ressalta Barbosa.

“Outra bandeira de luta nossa diz respeito a contratações de mais de funcionários. Nos últimos anos, houve um corte expressivo no quadro de funcionários, o que não é coerente com o aumento do número de clientes”, acrescenta o sindicalista.

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‘Quem sai prejudicada é a

população’, diz dona de casa

Diante da paralisação por tempo indeterminado, resta à população que depende dos inúmeros serviços bancários recorrer a atendimentos online ou nos caixas eletrônicos. “Precisava pagar uma conta de celular com código de barras que só pode ser aceito pelo caixa. Por causa da greve, vou ter que resolver isso sozinha o quanto antes para não sair prejudicada”, disse a dona de casa Sônia dos Santos, 57 anos, que ontem procurava atendimento e orientação em uma unidade bancária na área central de Bauru.

“Eu acho que é um direito da categoria fazer greve, mas quem sai mais prejudicada é a população e os clientes, como sempre. Alguns serviços essenciais precisavam ser mantidos”, comentou.

Em nota divulgada à imprensa, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) afirmou que vai adotar todas as medidas legais cabíveis e necessárias para garantir o acesso e o atendimento da população nas agências e postos bancários, principalmente no início do mês, em que as agências recebem um maior público.

“A entidade e os bancos respeitam o direito de greve. O que não se pode admitir são os piquetes contratados que barram o acesso da população às agências e postos bancários para impor uma greve abusiva, injustificada”, diz o comunicado da Fenaban, que ainda alegou que aceita discutir o reajuste dos salários, mas pondera que “não se pode aceitar um índice exagerado como o pleiteado pelos sindicatos, que nos últimos anos têm recorrido à tática de interromper o diálogo, sem tentar uma aproximação de números na mesa de negociações”, salienta a entidade.

De acordo com o divulgado pela Federação, o piso salarial inicial de um técnico bancário na Caixa Federal, que cumpre seis horas diárias em cinco dias da semana, é de R$ 1.501,49. Adicionando-se vale-refeição (R$ 371,36/mês), vale-alimentação (R$ 289,36/mês) e auxílio-creche (R$ 207,95/mês), chega-se a um total de R$ 2.370,16 mensais, além de vale-transporte, plano de saúde e treinamento. Os que têm jornada diária de oito horas recebem salário, pelo menos, 55% maior do que os que têm jornada de seis horas, segundo a Fenaban.

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