Imagine ter uma filha de mais de 1 ano de idade que passou quase a vida inteira internada em um hospital. E, se não bastasse esse drama, a família ainda luta constantemente para conseguir a transferência da garota para um hospital onde haja um tratamento mais adequado.
Toda esta história gira em torno da pequena Lavínia Aparecida de Melo, de 1 ano e 1 mês. Destes, ela passou apenas 10 dias em casa, sendo que todo o restante esteve internada na Maternidade Santa Isabel, devido a uma doença conhecida como mielomeningocele.
A enfermidade é uma má formação congênita localizada na coluna vertebral e a criança atingida pode apresentar falta de sensibilidade da lesão para baixo; falta de controle da bexiga e intestinos; além de hidrocefalia.
Lavínia apresenta este último sintoma grave e respira com a ajuda de aparelhos e, segundo a família, o local em que ela está internada não oferece tratamento adequado.
Um desses problemas é o berço e a posição que a garota se encontra, que estão fazendo com que seus membros se atrofiem aos poucos.
Na manhã de ontem, a família e a pediatra plantonista da maternidade, Lívia Wueb, entraram em atrito. A médica não autorizou que a garota fosse transportada para fazer uma avaliação que teria sido solicitada por ortopedistas do HE para resolver o problema da atrofia.
A família insistiu e a situação gerou certa confusão, sendo que a mãe de Lavínia, Keler Caciane de Melo, 24 anos, chegou a registrar um boletim de ocorrência relatando o caso.
A mãe afirma que não havia justificativa para a negativa e que a filha perdeu uma oportunidade de tratamento. A médica afirma que fez isso zelando pela segurança da paciente e que a responsabilidade é dela nesse caso.
Após o desentendimento, fica claro que ambas as partes concordam com uma coisa: a garota precisa ser transferida para um lugar com melhores condições de tratamento.
Segundo Lívia, a Maternidade Santa Isabel já tentou transferi-la várias vezes para outras instituições, porém, não teve sucesso. “Apesar de ter uma UTI, aqui é uma maternidade. Não temos esses recursos”.
A advogada Ana Paula de Lima, que representa a família de Lavínia, disse que está tentando administrativamente conseguir a transferência da garota ao HE. Entretanto, ela afirma que, se não conseguir até o fim desta semana, entrará na Justiça para isso.
“Caso ela não seja transferida, eu pretendo usar o boletim de ocorrência registrado ontem e pedir um mandado de segurança em relação à Secretaria de Saúde. Com isso, provavelmente a transferência sairá. Esperamos que até segunda-feira ela esteja no Hospital Estadual”, conclui.