Pesca & Lazer

História de Pescador: Uma pitoresca pescaria


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Minha admissão na Noroeste (NOB), em 1 de abril de 1950, deu-me o direito de pleitear um vagão de madeira, quando das férias anuais, para pescar e caçar em qualquer trecho de nossas linhas. A cessão, gratuita para um mínimo de cinco funcionários, era válida por um mês.

Imaginem o quanto usufrui dessa benesse que a estrada nos concedia nos 35 anos e meio em que lá trabalhei.

Nosso destino de rotina era o Estado do Mato Grosso, e nossas paradas diversificadas nos ensejaram conhecer muitíssimos lugares, rios piscosos e matas formidáveis. Pescarias e caçadas (esta, hoje proibida), eram abertas naquele tempo, não havendo restrição nem mesmo ao transporte de armas.

Pelo exposto, era de se esperar a narrativa de uma pescaria ou caçada mirabolante, mas deixo-as de lado para contar uma curiosidade acontecida comigo e meu saudoso amigo de serviço e de pesca Sérgio Moura, o “Mourinha”.

Estávamos em Salobra com “nosso” vagão. Dos cinco, três colegas pescavam rio Miranda acima, mais precisamente no Salobrinha, um afluente. O Sérgio e eu nos acomodamos, um em cada lado, sobre uma velha balsa semiafundada, isto é, com um lado sobre a margem e o oposto mergulhado n’água, fazendo lembrar um “pier” inclinado, com uns três metros, secos, sobre o rio.

Pescávamos com linhada de fundo, ao largo, e de vez em quando fisgávamos um peixe. Estávamos uns dez metros distantes um do outro.

Até que, em dado momento, aquela corrida brusca e forte. Dei um puxão com bastante força. O Sérgio fisgava ao mesmo tempo que eu, exclamando: “Peguei! E parece grande”. A linha esticada, mas o peixe não cedia. A mesma coisa acontecia com o amigo. “Deve ter ido para os enroscos esse peixe. O seu também... “Só pode ser”, disse. Não afrouxávamos a linhada e mantínhamos a pressão. Após algum tempo senti que o peixe cedia. Comecei a recolher a linha. E o Sérgio a dele, simultaneamente.

O “bicho” chegava à balsa bem no meio, entre nós dois. Quando o levantamos, ao mesmo tempo, vimos tratar-se de uma arraia pintada, com setenta e seis centímetros de diâmetro (foi medida), e com um anzol em cada lado da boca: tínhamos fisgado o mesmo peixe. Uma pitoresca coincidência...

Adalto D. Giafferi Prado é pescador e contador de histórias.

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