Articulistas

Felicidade e desempenho no trabalho

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

A revista Você/S/A-Exame publicou, em setembro, a edição especial 2010 das melhores empresas para trabalhar. Duas empresas de Bauru estão entre as 150 classificadas, a Servimed e a Paschoalotto. É uma pesquisa muito interessante que a revista vem fazendo há alguns anos no sentido de estimular as empresas a melhorarem o seu relacionamento com os empregados. Não sabemos se outras chegaram a se inscrever, mas seria bom que se interessassem para o próximo ano, porque é uma ótima oportunidade de confrontar o que elas vêm pensando e fazendo com o julgamento dos seus empregados. O processo consta do preenchimento de dois questionários, um pela empresa e outro pelos empregados, abordando estratégia e gestão, liderança, cidadania empresarial, carreira, desenvolvimento, remuneração, benefícios e saúde. Jornalistas visitam as empresas para entrevistas de confirmação da veracidade das informações e se os empregados ficaram livres de pressões para se manifestar. Com a assessoria da Fundação Instituto de Administração - FIA, uma comissão avalia as informações e apura o Índice de Felicidade no Trabalho, que dá a classificação da empresa. Esse índice é apurado pela média ponderada do questionário da empresa, que dá o Índice de Qualidade na Gestão de Pessoas e do questionário dos empregados, que resulta no Índice de Qualidade do Ambiente de Trabalho.

Com o banco de dados que possui sobre as 500 Melhores e Maiores Empresas, que a Exame publica anualmente, foi possível confrontar a rentabilidade das 150 melhores para trabalhar com as 500 maiores. Enquanto a rentabilidade das maiores era de 11,3%, a das melhores para trabalhar foi de 15,3%. Entre as 10 melhores das 150 chegou a 18,4%. Esse resultado mostra o óbvio: quando as pessoas se sentem felizes no trabalho elas são mais produtivas. Que vendedor pode fazer boas vendas, descontente com o patrão, com o gerente, com o salário, com os colegas? Que motorista pode dirigir com segurança, cuidar bem do veículo e da carga ou pessoas transportadas, sentindo-se um injustiçado na empresa? Que operário ou funcionário pode ser eficiente sem perspectiva de progresso ou melhoria, por mais que cumpra bem as suas obrigações? O que o professor pode fazer de bom para os alunos quando a escola, do governo ou particular, não faz pra ele?

Segundo a revista, o instituto americano de pesquisa Gallup, que vem estudando a relação felicidade/desempenho nas empresas há cerca de uma década, encontrou alguns elementos considerados essenciais para o incremento dessa relação: o empregado precisa conhecer bem o trabalho e ter oportunidade de aprender; precisa ser reconhecido e valorizado; sentir que há alguém que sabe da sua existência e se preocupa com ele; ser encorajado ao desenvolvimento; ter sua opinião considerada; identificar-se com a missão da empresa; ter colegas comprometidos, para que não se sinta um burro de carga; ter o seu melhor amigo no trabalho; poder acompanhar o progresso das discussões de melhoria e crescimento da empresa etc. Parece muito, mas pode ser resumido assim: patrão e empregado, cada um à sua parte, quer ser respeitado, não quer ser enganado, não quer ser injustiçado e quer ter oportunidade de melhorar. Isso pode ocorrer em qualquer empresa, não precisa ser grande, basta que ambos sejam sinceros, honestos, justos e educados.

Para os patrões, vale aqui a lição de Emmanuel: “Se te limitas a pagar o salário estipulado em contrato ao cooperador que te serve, doando-lhe dinheiro às mãos e secura ao coração, terás para breve um adversário potencial de tua obra.” E para o empregado: “Na atividade em que te encontres, faze mais que o dever, porquanto o serviço extra, espontâneo e sem recompensa, em toda situação, será sempre a tua mais alta pregação de virtude.”

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru e membro da ABLetras

Comentários

Comentários