Com um olho inchado e hematomas pelo corpo, um adolescente de 14 anos chegou ontem à escola que estuda, no Núcleo Mary Dota. Ao vice-diretor da escola, Cassius Marcelus Magri, que acionou o Conselho Tutelar, ele contou que havia sido agredido pelo padrasto.
“Ele também me disse que não tinha comido nada desde ontem (anteontem). Antes de conversarmos, fomos até a padaria para ele comer algo”, contou Magri.
Depois de se alimentar, o aluno relatou ao vice-diretor que o padrasto era o responsável pelos ferimentos. Segundo Magri, o garoto disse que tinha saído de casa para buscar um CD e foi recebido com a agressão quando retornou.
“Diante dos fatos, acionamos imediatamente o Conselho Tutelar, que veio até aqui (escola) e conversou com o garoto. A mãe dele também esteve aqui e conversou com a representante do conselho”, informou o vice-diretor.
A presidente do Conselho Tutelar de Bauru, Roberta Maria Almeida de Oliveira, registrou boletim de ocorrência relatando a agressão ao adolescente e o encaminhou para um abrigo. “A mãe disse que não vai tirar o padrasto da casa e não temos como deixar o adolescente voltar para lá”, explicou a presidente do conselho, garantindo que o garoto estava mais tranquilo e que a mãe aprovou o abrigamento do filho.
A diretoria da escola agiu de maneira correta ao dar assistência ao adolescente e chamar o Conselho Tutelar. “Esta atitude é correta, prevista inclusive no Estatuto da Criança e do Adolescente. O artigo 98 afirma que ninguém deve se omitir quando notar este tipo de agressão ou casos de abandono”, afirmou Roberta ao inserir tanto as escolas quanto os vizinhos, parentes e amigos como responsáveis por identificar violência contra crianças e adolescentes.
Ela revelou que esta não foi a primeira vez que o adolescente foi agredido pelo padrasto, destacando que o Conselho Tutelar tomou as atitudes cabíveis nas ocorrências anteriores e agora resta ao juiz analisar o caso e decidir quais serão as próximas ações.