Economia & Negócios

Cresce demanda por casa de alto padrão

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Maior poder aquisitivo, mais crédito e melhores condições de financiamento estão fazendo surgir uma demanda - e uma oferta - nunca vista de imóveis de alto padrão em Bauru. Nos últimos cinco anos, pelo menos 12 condomínios fechados de luxo foram consolidados na cidade, além de outros quatro que foram lançados somente em 2010.

São empreendimentos localizados em áreas mais afastadas da região central - prioritariamente na zona sul - e que primam pela sofisticação, conforto e segurança. Também agregam uma série de serviços e equipamentos, como áreas verdes, de lazer e até comerciais. Dependendo da infraestrutura incluída, do tamanho e da localização, uma única residência pode custar mais de R$ 4 milhões.

Foi o valor pago por um comprador em uma negociação recente com um corretor de imóveis da cidade, que preferiu não se identificar. Ainda que ele prefira não revelar o valor recebido com a venda, estima-se que tenha embolsado a quantia de R$ 40 mil. E, assim como o segmento da corretagem, esse mercado exclusivo movimenta diversos outros setores da economia (leia texto ao lado).

Embora os imóveis neste patamar tão elevado sejam poucos, opções mais “baratas”, entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, também ganharam espaço nos bairros e loteamentos fechados mais nobres. Em número de unidades, como era de se esperar, essas construções são infinitamente menores que os empreendimentos de médio padrão, que se espalharam pela cidade no último ano, impulsionados pelo programa do governo federal “Minha Casa, Minha Vida” (MCMV).

O que faz a diferença, segundo Renato Parreira, diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), é o valor investido nessas residências mais sofisticadas, dezenas de vezes superior às unidades consideradas populares.

“O MCMV representou um crescimento na quantidade de prédios com apartamentos de um e até dois dormitórios. Já no mercado de alto padrão, o grande investimento é em condomínios horizontais (casas)”, pontua Parreira.

Acesso ao crédito

Ao contrário do que se possa imaginar, de acordo com ele, a maioria dos imóveis de alto padrão - que possui área construída entre 350m2 a 400m2 - é negociada através de financiamento. São adquiridas por pessoas que emergiram na profissão, como empresários, comerciantes e profissionais liberais.

De maneira geral, eles não são, necessariamente, endinheirados, mas foram beneficiados com o acesso ao crédito mais facilitado. “Com isso, essas famílias de melhores condições financeiras puderam melhorar seu nível de moradia. Há uma possibilidade delas investirem em um projeto personalizado”, frisa.

Um exemplo de como esse mercado cresceu é a grande variedade de materiais de acabamento mais aprimorados que podem ser encontrados, aponta Parreira. “São materiais de extremo bom gosto e bastante caros. E as opções são muitas porque há demanda para isso”, salienta.

Mas o requinte vai além dos limites do imóvel. Atualmente, os condomínios oferecem recursos que, até há pouco tempo, não faziam parte do portfólio dos lançamentos imobiliários locais. O pacote inclui academias de ginástica, salões de jogos e festas, espaços bar e gourmet, quadras poliesportivas, playgrounds e piscinas com hidromassagem e sauna.

“Num condomínio com 500 casas, por exemplo, o valor pago mensalmente para a manutenção desses serviços se torna relativamente baixo, o que é um atrativo na hora de decidir morar num local como este. E a preocupação com a segurança pesou muito para o crescimento deste mercado”, analisa.

Na avaliação de Rodrigo Said, titular da Secretaria Municipal de Planejamento, o segmento de imóveis de alto padrão acompanha o aquecimento do setor como um todo e, assim como ele, ainda possui um futuro de crescimento longo e duradouro. “Um projeto próximo à avenida Comendador José da Silva Martha e outro de três prédios de até 30 andares já foram aprovados. Há ainda mais duas aprovações a serem feitas em um loteamento às margens da rodovia Bauru-Ipaussu.

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Mercado amplia oportunidades

para mão-de-obra qualificada

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru, Cláudio da Silva Gomes, também não duvida que o mercado continua aquecido e assim permanecerá enquanto existir crescimento econômico no município e no País. Segundo ele aponta, a demanda por profissionais que possuem mão-de-obra qualificada, como marmoristas, arquitetos, decoradores e paisagistas, aumentou consideravelmente nos últimos anos por conta da expansão das construções de alto padrão na cidade.

“São imóveis que requerem um alto grau de personalização e requerem materiais mais caros em tudo que envolve acabamento. Os profissionais que trabalham com foco nesse setor estão com a agenda cheia. Existe inclusive uma fila de espera para esse tipo de serviço”, frisa Gomes.

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