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Cenário de Congresso pró-Dilma se mantém às vésperas da eleição


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São Paulo - As projeções para o Congresso Nacional que sairá das urnas após a eleição de amanhã se mantêm mais favoráveis a um eventual governo Dilma Rousseff (PT) do que a uma possível administração de José Serra (PSDB), segundo consultorias políticas.

As recentes denúncias de tráfico de influência envolvendo a Casa Civil, que derrubaram Erenice Guerra, ex-auxiliar de Dilma, aparentemente tiveram impacto apenas “residual” na corrida para o Legislativo, na avaliação de Antônio Augusto de Queiroz, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores Associados, tem a mesma avaliação, mas faz a ressalva de que costumam ocorrer surpresas. “Por enquanto, as últimas sondagens não mostram nenhuma mudança em relação às projeções anteriores para a Câmara Alta do Congresso, embora as eleições para senador sempre apresentem surpresas”, disse Ribeiro à Reuters.

Mesmo com o bombardeio de notícias sobre os escândalos na Casa Civil e na Receita Federal nas últimas semanas, o quadro para o Senado é praticamente o mesmo do que 30 dias atrás.

A coligação que apoia Dilma, candidata líder nas pesquisas de intenção de voto, formada, além do PT, por PMDB, PRB, PDT, PTN, PSC, PR, PTC, PSB e PCdoB, deve conquistar uma base, no cenário mais otimista de cerca de 55 senadores, segundo as projeções, patamar parecido ao de um mês atrás (58).

Essa margem poderia chegar a 67 cadeiras, também no cenário mais otimista, se PTB, PP e PV - que atualmente compõem a base de apoio ao governo do presidente Lula, mas não estão na coligação de Dilma - apoiarem o bloco governista no caso de uma eventual vitória da petista. No início de setembro esse número era de 69 senadores. “Dilma ampliaria a base em relação à de Lula hoje”, previu Queiroz, do Diap.

Do lado de Serra, as projeções mostram uma bancada máxima de 34 senadores, mesmo patamar verificado há um mês. A coligação é formada além do PSDB, por DEM, PPS, PTB, PMN e PTdoB.

Se vencer em outubro, Serra precisaria buscar em partidos que não o apoiam nesta eleição o suporte necessário para aprovar as medidas no Senado, especialmente quando forem mudanças constitucionais, que precisam de 49 votos. Queiroz avaliou nesse caso, no entanto, que Serra deve contar com votos do PMDB na Casa, o que diminuiria as dificuldades de uma eventual administração tucana.

Atualmente, o PMDB tem 17 senadores e pode chegar a 20. Ou seja, deve manter o posto de maior bancada do Senado a partir de fevereiro de 2011. Assim como o PMDB, o PT também deve crescer, podendo sair da quarta para a segunda maior bancada no Senado. O PSDB, por sua vez, pode perder o segundo posto na Casa, mas o DEM é que deve ser o maior prejudicado e ver sua bancada ficar reduzida para 6 senadores, no pior, mas menos provável, cenário.

Câmara

Na Câmara dos Deputados, o cenário também é mais favorável para um eventual governo petista do que para uma administração tucana.

No caso de um governo Dilma, a base governista no cenário mais otimista, deve ficar acima, com folga, dos 308 votos necessários para aprovar mudanças constitucionais.

Serra teria bancada bem menor que a da petista e poderia vir a enfrentar uma oposição bem mais forte, conforme for reajuste de forças pós-eleições.

Além de todas as variáveis de composição de governo, dependendo se o vencedor for Dilma ou Serra, os analistas lembraram também a pendência em torno da Lei da Ficha Limpa, que ficou sem uma decisão por parte do Supremo Tribunal Federal sobre sua aplicação ao pleito atual.

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