Encontrar uma vaga para estacionar um veículo na área central da cidade de São Paulo é como procurar uma agulha no palheiro. A solução é estacionar o carro em um local privado. Para isso é preciso desembolsar um valor que por lá raramente é menos do que R$ 10,00 por hora. Nos municípios de menor porte, o problema persiste, especialmente na área onde está concentrada as agências bancárias. A diferença é que estacionar veículos no Interior custa menos.
Na medida que aumenta a demanda a tendência é subir o preço do estacionamento, alerta o especialista em tráfego, Archimedes Raia Júnior. “Num primeiro momento, a administração pode transferir o estacionamento das principais vias para ruas paralelas e fazer fluir o tráfego. Incentivar a iniciativa privada a abrir novas vagas é uma opção.”
A cobrança do estacionamento é uma maneira de ‘forçar’ a população a não transitar, sem necessidade, por locais que apresentam problemas, explica o especialista. “A pessoa vai começar a pensar se é vantajoso. Em São Paulo, a maioria da população usa o transporte coletivo. Mas a quantidade de veículos e pessoas ainda é maior do que o tráfego suporta, por isso a situação caótica.”
Na cidade de Lins, por exemplo, a frota cresceu assustadoramente e hoje há um carro para cada dois moradores. As vias existentes se tornaram insuficientes e há necessidade de ampliação de vias o que implica em altos investimentos.
Raia Júnior aposta que o transporte coletivo resolveria o problema. “As pessoas ainda estão utilizando o carro porque encontram facilidades no sistema viário. A partir do momento que elas tenham que desembolsar dinheiro e enfrentar congestionamentos, vão optar pelo uso do transporte coletivo.”
Para a população migrar para o ônibus é preciso melhorar a qualidade do veículo e criar dificuldades para o uso do automóvel, receita Raia Júnior. “Atualmente seria muito difícil, no Interior, fazer com que as pessoas deixem seus carros para usar o transporte coletivo. É preciso ter ações conjuntas. Só melhorar o transporte coletivo não vai atrair o usuário do automóvel.”
Na opinião dele, para solucionar os problemas de fluidez do trânsito nas metrópoles é preciso coragem política. “Para tomar uma atitude desse porte é preciso muita coragem, por isso o problema vem sendo empurrado com a barriga. São Paulo está no limiar do caos.”
Ele acha que um dia, mais cedo ou mais tarde, será preciso tomar uma atitude na Capital. “No Interior a situação é menos crítica, mas se começasse agora não chegaria ao ponto que chegou São Paulo. Em Londres, foi adotado o pedágio urbano para resolver alguns gargalos do trânsito.”
Nos moldes do sem parar, o usuário adota um dispositivo que faz a cobrança toda vez que ele trafegar por aquela área. “O resultado é que o motorista evita. Procura rota alternativa para não ter que desembolsar dinheiro para transitar dentro da cidade. Alguns optam pelo transporte coletivo. Com a rota alternativa corre se o risco de mudar o problema de lugar, mas se o município tem uma reserva de capacidade por outras vias é só desviar o tráfego que melhora a fluidez.”