Belo Horizonte - No segundo maior colégio eleitoral do País, com cerca de 14,5 milhões de votos, o resultado das eleições irá além da disputa pelo governo de Minas Gerais, polarizada entre o governador Antonio Anastasia (PSDB) e o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB). Mais do que os titulares do governo, do Congresso Nacional e da Assembleia, o que as urnas mineiras devem revelar é o nome do mais forte líder da oposição no País.
Se confirmados os prognósticos dos institutos de pesquisa às vésperas da votação, o ex-governador Aécio Neves, já apontado como nome certo de Minas no Senado, será o líder mais vitorioso do PSDB. “Ele vai fazer barba, cabelo e bigode”, aposta o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Ranulfo, convencido de que a hegemonia paulista do PSDB está com os dias contados.
O cientista político acredita que o PSDB mineiro terá mais sucesso nesta eleição do que a regional de São Paulo, tida até agora como a mais forte do partido em todo o Brasil. Pelas pesquisas de intenção de voto, Anastasia vai continuar no comando do Palácio Tiradentes, por obra política de Aécio, que ainda deve se eleger em dobradinha com o ex-presidente Itamar Franco (PPS).
Isso significa que, na prática, Anastasia pode ser eleito contabilizando como seus os três votos de Minas no Senado. Além da provável dupla Aécio-Itamar, o terceiro senador mineiro - Eliseu Resende (DEM) - também é um aliado que chegou ao Congresso, em 2006, pelas mãos do ex-governador tucano.
Geraldo Alckmin, no entanto, deve voltar ao governo de São Paulo pelo PSDB sem a garantia do apoio da bancada paulista no Senado. As pesquisas eleitorais indicam que seu grupo não conseguirá emplacar um aliado em nenhuma das duas cadeiras de senador hoje em disputa.
A terceira vaga de senador por São Paulo já está com o petista Eduardo Suplicy. Embora disparado à frente da corrida pelo governo paulista, Alckmin não conseguiu impulsionar a candidatura de Aloysio Nunes (PSDB) ao Senado, mesmo depois de Orestes Quércia (PMDB) ter saído da disputa para tratar da saúde, declarando voto ao tucano.
A eventual vitória completa de Aécio neste domingo provocará uma derrota tripla para o PT mineiro, a despeito do esforço eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para eleger Hélio Costa, com o vice petista Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) para o Senado.
Na suplência de Pimentel, o deputado mais votado do PT mineiro, Virgílio Guimarães, pode ser arrastado pelo fracasso eleitoral, quando contava com a vaga de titular na hipótese de o ex-prefeito virar ministro em um governo de Dilma Rousseff.