São Paulo - Pela sexta vez seguida, desde o fim do regime militar, o Brasil irá hoje às urnas escolher um presidente - e com ele 27 governadores, uma nova Câmara, dois terços do Senado e 27 novas assembleias estaduais (veja quadro). São 135,8 milhões de eleitores que, entre 8h e 17h, decidirão em 5.565 cidades o futuro do País e de uma multidão de 22.555 candidatos.
Os eleitores vão às urnas ao fim de três meses de uma campanha morna, despolitizada, sem programas e sem emoção - a não ser os atropelos da Justiça, que adiou a decisão sobre candidaturas “ficha suja” e só na última hora disse como o cidadão se identificará nas seções eleitorais.
Na mais crucial das escolhas, a de quem sucederá os oito anos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convivem o clima de “quase certeza” da vitória de sua candidata, Dilma Rousseff (PT), e a esperança de seus rivais diretos, José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), de que ela não mantenha a pequena maioria apontada nas pesquisas e a decisão vá para um segundo turno.
Não é muito diferente a situação no maior colégio do País, o de São Paulo, onde 30,3 milhões de votantes - 22% do total - decidirão se o tucano Geraldo Alckmin leva no primeiro turno, apesar do crescimento, nos últimos dias, do petista Aloizio Mercadante.
Um dos pontos marcantes da campanha foi que nunca antes um chefe da nação envolveu-se tão ferrenhamente na defesa de seu nome preferido. Outro, que as mulheres são o principal colégio eleitoral, com 70,3 milhões de votos, 5 milhões a mais que os homens. É intrigante, também, o crescimento do eleitorado no Exterior: pelo mundo afora, vão votar hoje 200,1 mil brasileiros, 132% a mais do que em 2006.
Por fim, as eleições revelam um País que avança e se moderniza mas continua injusto e desigual. Em 61 cidades vai valer um moderno sistema de identificação biométrica dos eleitores. Mas, pelo Brasil afora, entre os que vão usá-lo, 64 milhões - pouco menos da metade - são analfabetos ou têm o 1.º grau incompleto.