Pensar em obras ou reforma pode se tornar sinônimo de dor de cabeça. E quem já não ouviu essa frase de um amigo ou parente? Isto porque faltam profissionais qualificados no mercado e, com o aquecimento do mercado da construção civil em Bauru, os supostos empreiteiros se responsabilizam em trabalhar para mais de um cliente. Você já pode imaginar o resultado ou já vivenciou a situação?
Alguns deles trabalham um ou dois dias e depois desaparecem. Não bastasse isso, no futuro a obra ou reforma começa a render frutos ruins. É um cano que rompe, uma rachadura que aparece, infiltrações começam a fazer a pintura descascar.
O resultado é que, na maioria das vezes, o barato sai caro. E em Bauru esse ditado se resume à realidade de que aproximadamente 50% de imóveis construídos com mão de obra informal, de acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). Para o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, nesses casos o sonho de ter uma casa própria para muitos pode vir por água abaixo.
“Muitas pessoas sonham hoje em ter a casa própria, mas isso acaba se tornando um problema. Bauru tem um solo arenoso e precisa de uma boa fundação. Mas para não gastar muito dinheiro, a pessoa vai fazendo a construção por conta própria ou contrata uma mão de obra informal. O resultado começa a aparecer depois: rachaduras e vazamentos. Se tivessem gasto um pouco mais de dinheiro no início, muitos evitariam esses problemas”, salienta Brito.
Para evitar surpresas, o Sinduscon alerta para não deixar de contratar um engenheiro, um arquiteto ou uma empresa confiável além do empreiteiro. Ter alguém que se responsabilize pela obra do início ao fim, obtendo as Certidões Negativas de Débito (CND) de órgãos fiscalizadores e o Habite-se, é ter a garantia de uma boa construção e, consequentemente, de tranquilidade.
Informalidade
Ao contratar um serviço de um empreiteiro, além de ter problemas na obra e não poder cobrá-lo por isso, de acordo com o Sinduscon, você corre o risco de ser acionado judicialmente por ações trabalhistas. Uma construção irregular também está vulnerável a receber multas por isso, o que pode impedir a venda do imóvel no futuro.
O sindicato alerta que o ideal é que a empresa ou profissional formal apresente documentos importantes, como Guia de Previdência Social (GPS), Guia do Recolhimento do Importo Sobre Serviço (ISS) e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e de Informações à Previdência Social na hora de firmar o contrato.
Para auxiliar quem quer construir seu imóvel com regularidade e sob a supervisão de bons profissionais qualificados, o Sinduscon criou a cartilha “Obra Legal”. Nesse guia estão dicas de como fazer tudo da melhor forma a fim de evitar irregularidades. A cartilha está disponível gratuitamente no site www.sindusconsp.com.br.
Fissuras e trincas
Apareceu uma rachadura na parede? É importante saber se ela é uma fissura ou uma trinca. A fissura é bem simples e mais superficial. É causada na maioria das vezes por infiltração e pode ser facilmente reparada.
Mas você já tentou e ela volta a aparecer? Existe um segredo simples e barato para se livrar dela. “Às vezes as pessoas passam uma massa corrida na fissura e ela volta a aparecer. Isso acontece devido à dilatação e pode ser facilmente reparado com o veda-trinca. Ele parece uma fita e dá elasticidade à essa fissura. O veda-trinca vem com as instruções de uso na sua embalagem e geralmente é aplicado em conjunto com a massa corrida. Um rolo deve custar em média R$ 10,00”, explica o engenheiro Eric Fabris.
Já a trinca é um alerta de que algo não vai bem na construção. Sanar uma rachadura como essa pode não ser tão simples quanto parece. “Quando o solo cede, a primeira a “avisar” é a trinca. Às vezes quando se faz a fundação profunda, ela desaparece porque a casa volta a ficar estabilizada. Mas isso não acontece em todos os casos. Existem situações em que é necessário fazer uma costura com barras de aço e argamassa de alta resistência”, acrescenta Eric.
O engenheiro acrescenta que esse conserto pode custar em torno de R$ 200,00 o metro, levando-se em consideração a mão de obra do empreiteiro mais o material.
Beirais e pintura externa
Os antigos beirais, que eram muito utilizados em construções e hoje dificilmente são vistos nas casas também são uma maneira de proteger a pintura da casa. A arquitetura moderna acabou quase que extinguindo essa extensão de telhado, que também pode ser visualizada em forma de prolongamento da laje.
O arquiteto e presidente da Associação dos Engenheiros Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), Emerson Crivelli, defende a adoção desse tipo de arquitetura. “Antigamente, muitas casas tinham beirais. Hoje eles já não são quase vistos. Os beirais fazem com que a água das chuvas não estrague a pintura antes do tempo. E isso é muito importante”, frisa.
Além disso, um bom acabamento externo não permite que a umidade chegue ao concreto e futuramente nas estruturas de aço da casa. “Há algum tempo atrás era muito utilizado o cal, que retém a umidade e não deixa que ela chegue na parede. Hoje nós temos opções melhores e baratas, como a pintura acrílica ou uma especial para fachada. Uma lata de tinta acrílica deve custar em torno de R$ 160,00”, acrescenta.
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Jardim pode ser vilão
Um simples jardim também pode causar danos em uma construção, como, por exemplo, uma infiltração de solo. De acordo com o arquiteto e presidente da Associação dos Engenheiros Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), Emerson Crivelli, um bom sistema de drenagem evita esses transtornos.
“Além do sistema de drenagem, a parede que fica abaixo da casa também deve estar bem protegida e impermeabilizada. Uma camada de argila expandida, uma manta especial e terra são ideais para drenar a água do jardim”, explica.
Para o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, a população deve evitar plantar grandes árvores nos seus quintais, principalmente as frutíferas. “A população deve entender que uma árvore como essas cresce com o tempo e algumas possuem raízes que também continuam a crescer. Se essa raiz atingir o alicerce da casa, isso poderá causar grandes danos nessa estrutura. A população deve preferir outros tipos de árvores, como arbustos”, frisa.
Brito ainda ressalta que essas grandes árvores são alvos de brigas entre vizinhos e de acúmulo de lixo. “As folhas caem e muitas vezes são levadas pelo vento. A sujeira acaba indo para a casa vizinha e gera uma briga. Essas folhas também entopem as calhas, podendo provocar infiltrações. Já as frutas que caem no quintal também acabam virando lixo.” As frutas em estado de putrefação atraem vários tipos de insetos.
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Calhas e rufos limpos evitam entupimento
As calhas ainda são grandes problemas na cidade de Bauru. Ao mesmo tempo em que ajudam a dispersar a água das chuvas que cai sobre os telhados e segue para os ralos, elas também podem causar grandes transtornos se não forem constantemente limpas. De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, muitas casas em Bauru estão com as calhas entupidas.
“Em Bauru, muitas casas estão com calhas entupidas com folhas e outros tipos de lixo, o que, além de não drenar a água das chuvas, pode se transformar em um local propício para a proliferação de vetores de doenças como a leishmaniose. As folhas acumuladas são um ótimo paradeiro para o mosquito que transmite a doença. Então cada um deve proimover a conscientização de manter sua calha limpa”, recomenda.
Já os rufos cobrem os muros e fazem com que a chuva não deixe acúmulo de umidade nas paredes, além de dispersar a água de forma com que ela caia diretamente no ralo. As folhas de árvores também podem enroscar nos rufos, portanto manter a atenção direcionada para esse protetor é muito importante.