Este três de outubro, quando o país foi às urnas para eleger seu presidente, governadores, senadores e deputados, deve ser considerado como um dia de reflexão. Analisar o que os representantes que foram eleitos há quatro anos cumpriram, os que deixaram a desejar, os que se envolveram em ações pouco edificantes, e aqueles que se revelaram como indignos de receberem nossos votos.
Infelizmente, raros são aqueles eleitores que ainda lembram em quem votaram na eleição passada, daí a se considerar o nosso povo como sem memória. Mas além dessa reflexão sobre o que fizeram os nossos representantes, com o voto que lhes destinamos, temos também que analisar as candidaturas exóticas, que neste ultimo pleito, extrapolaram os limites do desejável.
Parece-nos que os coronéis partidários analisam apenas o que podem usufruir desses candidatos exóticos, pouco se importando se tem aptidões políticas, se possuem gabarito cultural e intelectual, se algum dia na vida eles se preocuparam com os rumos do país. O que interessa é usá-los para poder aumentar a votação de suas legendas, e eleger nesse comboio, aqueles que o partido realmente quer. Quem votou nesses cacarecos modernos, realmente jogou seu voto na lata de lixo e, indiretamente, participou da eleição de gente envolvida até a raiz dos cabelos em falcatruas denunciadas à exaustão pela imprensa brasileira.
Como diz Caetano em uma de suas composições, em uma eleição “é preciso estar atento e forte”. Atento para não cair nesses contos do vigário que algumas legendas apresentaram como candidatos. Fortes para resistir aos apelos dos oportunistas que, após eleitos, vão tratar da sua própria vida e da vida de seus familiares e apaniguados, pouco se importando com a situação daqueles que neles depositaram sua confiança.
Mas neste momento a sorte já foi lançada. As Assembléias Legislativas, o Senado e a Câmara Federal já têm suas composições definidas. No momento em que escrevo, após voltar da seção eleitoral onde cumpri com minhas obrigações, fica difícil saber os resultados do pleito. No entanto fica muito claro que a Justiça Eleitoral, precisa obter os recursos necessários para melhorar o atendimento dos eleitores nos locais de votação. Notadamente aqueles de idade mais avançada, portadores de deficiências ou problemas de saúde, para que se evitem as filas intermináveis, e as escadarias estafantes.
Sonho com o dia em que a tecnologia nos permita votar de nossa própria casa, através da rede de computadores, para que se evitem muitos atropelos. Como sonhar não é proibido, aproveito também para ressaltar o clima de tranqüilidade observado nesta jornada eleitoral. Resta-nos agora, aguardar o resultado, e que os eleitos, façam por merecer o voto que receberam.
O autor, Carlos Pinto, é jornalista e colaborador de Opinião