Quito - O estilo combativo do presidente equatoriano, Rafael Correa, afasta aliados e pode dificultar a sua capacidade de governar. Mas ele não deve alterar esse perfil.
O temperamento explosivo do líder de esquerda veio à tona na última quinta-feira durante um protesto de policiais contra corte de bônus e benefícios, que acabou com vítimas fatais e mergulhou o pequeno país andino no caos. “Mate-me se você quiser. Mate-me se você tiver coragem”, ele gritou em desafio.
Sua decisão de negociar pessoalmente com os manifestantes, que estavam queimando pneus em um quartel da polícia, foi um tiro que saiu pela culatra, já que uma bomba de gás lacrimogêneo explodiu perto de seu rosto. O presidente, que já mancava por causa de uma recente operação no joelho, ficou preso por horas em um hospital próximo.
Com armas em punho, soldados finalmente libertaram Correa da clínica onde ele estava sendo mantido por policiais rebeldes que o atacaram, o que o presidente chamou de uma tentativa de assassiná-lo e de derrubar seu governo socialista.
Seu veículo foi baleado quando ele foi retirado do local por guardas de elite. Oito pessoas morreram em tumultos em todo o país e quase 300 ficaram feridas no mais duro desafio a sua Presidência.
Seus críticos o acusam de humilhar adversários políticos e até mesmo seus próprios ministros durante seu programa semanal de rádio e televisão. Seus partidários dizem que ele é um político corajoso que luta contra a elite amplamente percebida como corrupta.
“Ele não vai mudar seu estilo. O próximo passo aqui é refazer nossas alianças com setores que são simpáticos a nós, especialmente os militares”, disse um alto funcionário do governo que pediu para não ser identificado.
Correa se orgulha de ter combatido intimidações aos mais fracos desde criança. Ele já expulsou um jornalista durante entrevista ao vivo e já teve discussões aos gritos com seus adversários políticos.