O resultado da votação em Bauru aponta performances que vão aguçar vontades pessoais na vida dos partidos desde já e, também, dá sinais de enfraquecimento a outros pretendentes ao posto de liderança local, assim como mostra para o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) que ele não está sozinho, nem soberano, no grupo seleto de eventuais “emergentes” na política.
As urnas revelam vários indicadores. Neste cenário, os 27.269 votos bauruenses em Carlos Octaviani (PP) e os 16.272 conquistados por Raul Gonçalves de Paula (PV) despontam naturalmente e geram, no mínimo, reflexões em adversários. Nem o mais otimista militante do PP admitiria, até o último domingo, que o partido teria um nome a ser de fato pelo menos apreciado para a disputa municipal, por exemplo, ainda que da cidade ao lado (Agudos). Além disso, outro elemento que a eleição de domingo revelou é que o prefeito Rodrigo terá de se preocupar com adversários novos na lista a ser oferecida aos bauruenses em 2012. Além de deixar de ser novidade ao Executivo, como bem aproveitou na disputa em 2008, as urnas impõem outras peças no tabuleiro político. A própria performance indireta do prefeito foi ruim. Sua vice-prefeita, Estela Almagro (PT), não foi bem, assim como Ricardo Oliveira (PTB), os quais apoiou.
Sob outro ângulo, a lista das urnas também traz, entre os cinco mais votados pela cidade, o vereador Roque Ferreira (PT) com 14.523 votos, o ex-vereador Toninho Garmes (PSB) com 11.497 apontamentos e até o ex-deputado Carlos Braga (PSDB) que, embora tenha ficado muito longe da possibilidade de ser eleito pelo seu partido, obteve 19.486 votos em Bauru. Todos estes candidatos disputaram uma vaga à Câmara Federal. Do outro lado, entre os que concorreram a uma vaga à Assembleia Legislativa, o resultado da eleição 2010 na cidade repete a boa penetração de Clodoaldo Gazzetta (PV) entre os bauruenses, com 31.696 votos. Na última eleição ao Palácio das Cerejeiras, Gazzetta despontou como a terceira força individual local, ficando no patamar também dos 30 mil votos.
No PT, por sua vez, a vice-prefeita Estela Almagro deve estar refletindo sobre o que significam seus 13.117 votos, resultado apenas intermediário se for considerada a elevada aprovação que o governo Lula tem em todo o País, inclusive em Bauru, e a pouca vinculação que sua candidatura parece ter retirado da popularidade e proximidade com o atual prefeito. Os números da eleição 2010 ainda estavam saindo, no início da noite de domingo, quando militantes e formadores de opinião sinalizavam para a reação que os dados já criavam dentro dos partidos. No programa Café com Política, Raul Gonçalves de Paula não escondia seu contentamento com o fato de ter sido o terceiro mais votado na cidade, apesar do resultado ter o deixado distante de uma cadeira pelo PV em Brasília.
Estreante na política, o médico oftalmologista conseguiu arrancar mais de 16 mil votos em uma legenda que veio dividida regionalmente para a participação na eleição 2010. O PV Bauru insistiu no lançamento de um concorrente bauruense para a Câmara Federal, contra a vontade (ou um acordo?) do deputado federal José Paulo Tóffano (PV-Jaú). Sobre 2012, Raul Gonçalves não titubeou em afirmar que o Partido Verde terá candidatura própria ao Palácio das Cerejeiras. No mesmo Café com Política, anteontem, Clodoaldo Gazzetta reforçava a posição alternativa que os verdes firmavam à Prefeitura de Bauru.
Balaio eleitoral
Apesar da expressiva votação, na frente nada menos de 10 concorrentes bauruenses natos, o ex-prefeito de Agudos Carlos Octaviani tentou jurar que a vaga de Rodrigo ainda não passa pela sua cabeça. No Café com Política, ele falou: “Seria uma honra poder disputar a Prefeitura de Bauru, mas por enquanto não penso nisso”.
Outro ingrediente do primeiro turno da disputa eleitoral 2010 é o papel que o deputado estadual reeleito para seu quarto mandato, Pedro Tobias, pode desempenhar na sucessão ao Palácio das Cerejeiras. Além de confirmar seu eleitorado local, com 42,02% dos votos bauruenses, o que representou 75.456 votos, Tobias tem sobre si, novamente, o peso de preparar o nome do PSDB para a sucessão local.
Do Poder Legislativo local, o nome de Roque Ferreira volta a despontar dentro do PT. Seus 14.523 votos a federal ficaram, inclusive, acima dos 13.177 votos obtidos pela colega Estela, que disputou uma vaga à Assembleia. Será que o prefeito poderá contar com o PT em eventual repetição de aliança em 2012?