Economia & Negócios

Greve dos bancários chega ao 6º dia com 70% de adesão

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Sem proposta dos bancos, a greve dos bancários em Bauru chegou ao sexto dia, ontem, com 33 agências bancárias fechadas, índice de adesão de 70,2%. Das 47 unidades da cidade, permanecem abertas apenas as agências da Rio Branco do Santander/Banco Real, todas as do Bradesco, as da Falcão e Vila Cardia do Itaú/Unibanco e a agência Estilo do Banco do Brasil, segundo informou o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região.

Como era de se esperar, por conta da extensão do movimento, caixas eletrônicos e casas lotéricas estão sendo bastante disputados pelos clientes. Parte deles talvez esteja entrando em contato com os dois canais de atendimento pela primeira vez.

É o caso, por exemplo, dos aposentados e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que, de maneira geral, têm o hábito de sacar valores por meio dos operadores de caixa. Conforme o calendário de pagamento, eles têm o benefício depositado em conta entre 24 de setembro e 7 de outubro.

Quem recebe o pagamento pela Caixa Econômica Federal, além dos caixas eletrônicos, pode procurar também as lotéricas. Nesses correspondentes não bancários é possível obter todo o valor disponível, desde que a pessoa tenha em mãos o cartão magnético e a senha. Já o clientes dos outros bancos têm que recorrer aos terminais de autoatendimento.

Neste caso, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) orienta a nunca pedir ajuda de estranhos para efetuar o saque. Caso o aposentado ou pensionista não se sentir seguro em operar as máquinas, é importante ir acompanhada de um familiar ou outra pessoa de confiança para auxiliá-lo.

E, sempre que possível, o melhor é usar os terminais instalados em locais de grande movimentação para evitar a ação de assaltantes ou estelionatários. Se o beneficiário não conseguir acesso aos terminais eletrônicos ou for impedido de entrar nas agências, a Febraban recomenda entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) da instituição financeira ou com o Banco Central.

]Outro grupo, um pouco mais restrito, que tem enfrentado dificuldades para conseguir retirar dinheiro nos bancos é o dos recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que tiveram o salário disponibilizado para saque após o início da greve. O problema é que parte deles receberia por meio de ordem de pagamento e, neste caso, a retirada do montante não pode ser efetuada nos caixas eletrônicos.

Drama

Uma recenseadora que preferiu não se identificar entrou em contato ontem com o JC para relatar seu drama. Ela foi contratada temporariamente pelo IBGE para realizar o Censo em dois setores da cidade. Terminou o primeiro serviço no início deste mês e, poucos dias depois, foi informada de que o dinheiro já estava disponível no Banco do Brasil (BB). Mas, como todas as agências de Bauru estão fechadas - excluindo-se uma que atende apenas clientes de alta renda - não conseguiu sacar com a ordem de pagamento.

“São cerca de R$ 900,00 e eu estou desempregada. Trabalhei um mês para ter direito a esse dinheiro e agora estou sem nada. Tenho contas a pagar e uma filha para sustentar. Não é justo”, reclama ela.

Procurada pela reportagem, a coordenadora da subárea do Censo em Bauru, Matilde Tabanez do Santos Pereira, informou que são os recenseadores que escolhem como gostariam de receber o dinheiro e que não há o que possa ser feito. A Febraban também informou que será preciso aguardar a reabertura de alguma unidade do BB para poder efetuar o saque do valor devido.

O salário dos recenseadores fica liberado para saque por 15 dias após o término do trabalho. Depois deste prazo, os valores retornam para o IBGE e, cerca de três dias depois, são enviados novamente para o banco, onde ficam disponíveis por mais 15 dias.

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