Tribuna do Leitor

Até quando?


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Dois mil e dez, ano eleitoreiro. Após vinte e cinco anos do fim da ditadura militar, durante o século XX, pasmem, ainda existem o voto de cabresto, leis de censura, corrupção, passividade popular, negligência parlamentar etc.

Família Sarney, Paulo Maluf, José Genoíno, Delúbio Soares, Roberto Jefferson, Collor, esses são alguns dos nomes envolvidos em denúncias das mais variadas formas de corrupção e crimes, que vão desde o desvio de verba pública, em-preendimento em cassinos, quebras de si-gilo bancário ilegais até nepotismo e construção de prostíbulos. Contudo, o incrível não é a falta de caráter desses politiqueiros, e sim, o fato deles terem sido eleitos e reeleitos por nós.

A política “Panes Et Circenses”, do pão-e-circo, é a maior arma desses déspotas para impedir o fim de seus reinados pseudo-democráticos. Ela ofusca o bom-senso popular com políticas populistas – tais como o Bolsa Família, o velho jargão de “dar o peixe ao invés de ensinar a pescar”. Para o descontentamento dos políticos, o pão e circo cega apenas alguns tipos sociais. Logo, são necessários outros métodos para conter manifestações.

As leis de censura impediram que programas como “CQC”, “Casseta e Planeta”, “Pânico na TV” e, até mesmo, o Jornal Nacional façam sátiras e piadas ligadas a políticos que se candidataram. Uma coisa é proibir personalidades famosas a declararem seus votos, outra é não permitir reportagens investigativas de cunho cômico ou não de serem exibidas.

Se algo não pode ser exibido integralmente é porque não é completamente idôneo. Nenhum tipo de censura se justifica. Os maiores representantes da comédia brasileira unidos aos telespectadores de seus programas organizaram um protesto em frente ao Congresso para contestar as leis que mantinham essa censura disfarçada. E obtiveram sucesso, permitindo a divulgação de muitos fatos que possivelmente mudarão nossa visão sócio-política. O silêncio é uma forma de manter o domínio político sobre a população. A palavra desmedida é perigosa. O silêncio, mais ainda.

Guilherme B. Platzeck - estudante

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