Internacional

Filha de opositor resgatou Correa


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Quito - A subtenente Karina Gutiérrez Bohórquez e o major do Exército Robert Vargas Borbúa, filha e primo do ex-presidente Lucio Gutiérrez, participaram da operação militar de resgate do presidente do Equador, Rafael Correa, que permaneceu doze horas sitiado no Hospital da Polícia de Quito, em meio a protestos de centenas de agentes na semana passada. A informação foi revelada por Gilmar Gutiérrez, irmão de Lúcio.

Correa e seus aliados culpam o Partido Sociedade Patriótica, de Gutiérrez, de liderar o protestos dos agentes -que criticavam um projeto de lei do governo que reduz benefícios salariais de policiais e militares. O ex-presidente, que estava no Brasil como observador das eleições, negou qualquer participação e disse que quer derrotar Correa, “mas com votos, derrotá-lo em eleições livres e não fraudulentas”.

Gilmar afirmou na Assembleia que acusar seu irmão pelos problemas enfrentados pelo governo é um “golpe velho” de Correa e voltou a negar qualquer envolvimento do ex-presidente com os protestos da última quinta-feira (30), que levaram o país a decretar estado de exceção e deixou ao menos oito mortos.

Segundo Gilmar, que é diretor nacional do oposicionista PSP, a subtenente chegou ao local, na quinta-feira, num dos primeiros caminhões com militares que foram resgatar o presidente -e que recebeu os primeiros disparos. A operação de resgate acabou em confronto entre militares e policiais e até mesmo o carro que levava Correa foi alvejado.

“A imprensa equatoriana cita uma mensagem eletrônica da subtenente, na qual ela teria contado ao pai sobre a participação no resgate do presidente. “Querido papai, como tu sabias, meu batalhão é encarregado das situações de emergência. Saí ontem para o resgate e estive em meio aos tiroteios. Eu sei que [tu] nunca arriscarias a vida de nosso povo. Por isso estou orgulhosa de ti. Te amo muito”, diz o texto.

À TV equatoriana, Gilmar disse que o irmão teria ficado orgulhoso da filha e acusou o atual presidente de querer desviar a atenção da crise no país ao acusar a oposição por ser ele “um dos responsáveis”. Na quinta-feira, o Equador decretou estado de exceção após centenas de agentes de segurança terem ido às ruas em violentos protestos contra as medidas de Correa que buscam diminuir os benefícios de policiais e militares. Os conflitos resultaram em ao menos oito mortos e 274 feridos. Em poucas horas a situação no país tornou-se instável, quando cerca de 120 militares teriam se juntado aos centenas de policiais nas manifestações, fechando o aeroporto de Quito.

Ferido, o presidente foi internado num hospital no centro de Quito, e pouco depois o prédio foi cercado pelos manifestantes.

A escalada de violência levou a OEA (Organização dos Estados Americanos) a convocar uma reunião de emergência e o secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) afirmou que a “América do Sul não pode tolerar mais” situações deste tipo. O presidente reconheceu que conseguiu ser resgatado porque seu povo e a polícia tem soldados leais e que, assim, saiu vitorioso.

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