Regional

Polícia investiga agressão a jovens

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras – A Polícia Civil de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) está investigando se funcionários de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos estão envolvidos na agressão de três adolescentes, dois de 15 e um de 14 anos, que tentaram fugir da unidade na madrugada da última segunda-feira. O fato foi constatado na manhã de anteontem pelo Conselho Tutelar da cidade em vistoria de rotina. A polícia apura ainda suposta negligência da clínica, além dos crimes de maus-tratos e cárcere privado, já que dois adolescentes estavam bastante machucados e trancados dentro de um quarto.

A conselheira tutelar Lenisa Maria Pinheiro conta que, ao chegar à clínica, localizada em uma chácara na zona rural do município, próximo ao jardim Marajoara, foi alertada por um adolescente de 15 anos, morador de Pederneiras, que dois adolescentes de Lençóis Paulista, de 15 e 14 anos, estavam trancados em um quarto com marcas de agressão pelo corpo.

Segundo a denúncia, os dois, acompanhados do jovem de Pederneiras, tentaram fugir da clínica na madrugada de segunda-feira, mas teriam sido capturados por funcionários e outros pacientes da unidade, agredidos e levados de volta para o local. Pelo relato de uma das vítimas, os agressores seriam um funcionário e três internos.

De acordo com a conselheira, além do espancamento, os três teriam sido obrigados a tomar banho gelado e dormir em um colchão no chão da sala apenas de shorts. “Eles eram mantidos dentro desse quarto, trancados, sem ter acesso a banheiro. Inclusive, nós encontramos lá um galão de cinco litros onde eles urinavam e esse galão foi apreendido pela polícia”.

De imediato, o Conselho Tutelar registrou a ocorrência na delegacia de polícia e encaminhou os adolescentes para exames médicos na Santa Casa da cidade. Os três foram retirados da clínica e estão sob a responsabilidade dos pais. “Eles estavam cumprindo a medida de internação, que é uma medida até protetiva para estar resgatando eles do vício”, explica.

O delegado Eduardo Herrera dos Santos conta que já colheu o depoimento dos adolescentes agredidos, de um funcionário da clínica e dos internos acusados, que confirmaram as agressões. Além da autoria, ele quer esclarecer os reais motivos do espancamento, se os internos participaram da captura dos adolescentes que fugiram da unidade e por que participaram.

Em relação à confirmação sobre a eventual participação de funcionários nos fatos, o delegado prefere manter a cautela. “A princípio, essas agressões teriam sido feitas pelos próprios menores da clínica e também por funcionários da clínica”, diz. “Essa questão dos funcionários, nós estamos investigando para realmente confirmar a participação deles”.

No inquérito policial, o delegado também irá apurar se a clínica foi omissa ao não providenciar atendimento médico para os jovens. “Os menores foram encaminhados para exame de corpo de delito e também foi requisitado perícia para a clínica para verificar denúncias de eventuais maus-tratos e se eles também estariam sendo mantidos em cárcere”, declara.

De acordo com Santos, se as denúncias forem confirmadas, tanto os adolescentes envolvidos, como funcionários e o dono da clínica poderão ser responsabilizados criminalmente. A Vara da Infância e Juventude de Pederneiras foi comunicada sobre os fatos para adotar as medidas cabíveis para a garantia dos direitos dos adolescentes.

De acordo com a presidente do Conselho Tutelar de Lençóis Paulista, Maria Angelina Romani Malagi, o caso mais grave é o do adolescente de 15 anos, morador da cidade, que teve que passar por novos exames médicos ontem no Hospital Nossa Senhora da Piedade. Segundo ela, os resultados devem ficar prontos somente hoje.

“Ele teve traumatismo renal, ficou até agora há pouco em observação e retornou para casa, mas ainda não teve o laudo da tomografia”, afirma. Já o adolescente de 14 anos, embora também tenha sido violentamente agredido, estaria apenas com escoriações pelo corpo.

Afastamento

O dono da clínica particular de reabilitação para jovens dependentes químicos, Ronaldo Galhardo, ressalta que as agressões contra os três adolescentes ocorreram em um bairro próximo ao local. “A agressão não ocorreu dentro da unidade. Foi do lado externo da unidade, onde três meninos fugiram e mais dois meninos, sem autorização da clínica, caracterizando fuga também, foram atrás desses três garotos que teriam fugido”, explica.

De acordo com ele, ainda não há confirmação sobre o envolvimento de funcionários no espancamento. Contudo, para que as denúncias sejam esclarecidas, Galhardo revela que preferiu manter um dos funcionários afastado de suas funções. Até anteontem, segundo ele, a clínica atendia 14 adolescentes, a maioria deles por determinação judicial.

“Já houve perícia no local, já foram colhidos depoimentos de todos os pacientes, dos envolvidos, da coordenação. Todo o processo que teria que acontecer, já está sendo feito”, afirma. “Nós estamos prestando todo o tipo de esclarecimento aos órgãos envolvidos e vamos aguardar o final das investigações”.

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