Brasília - O jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao chamado “grupo de inteligência” da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT), confirmou em depoimento à Polícia Federal que encomendou dados de dirigentes tucanos e familiares de José Serra (PSDB).
Essas informações, obtidas ilegalmente em agências da Receita Federal em São Paulo, foram parar em um dossiê que, no começo do ano, circulou no comitê dilmista.
O repórter disse que iniciou seu trabalho de investigação quando era funcionário do jornal “Estado de Minas”, para “proteger” o ex-governador tucano Aécio Neves - que à época disputava internamente no PSDB a candidatura à Presidência.
Amaury não admitiu que pagou pelos dados nem que pediu a quebra de sigilo fiscal dos tucanos. O despachante Dirceu Rodrigues Garcia, porém, declarou à PF que o jornalista desembolsou R$ 12 mil em dinheiro vivo e que entregou a ele as informações protegidas por lei.
Amaury não disse à polícia se recebeu ou não orientação de Aécio ou de outros políticos de PSDB de Minas para levar adiante a pesquisa. Afirmou que iniciou a apuração após ter tomado conhecimento de que uma equipe de inteligência liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra Aécio.
O jornalista contou, contudo, que foram pessoas do PT que roubaram os dados de seu computador pessoal. O laptop, segundo ele, foi violado neste ano num quarto de hotel em Brasília.
Amaury, nessa época, já estava ligado ao “grupo de inteligência” do comitê de pré-campanha de Dilma. Sua estadia na Capital era paga por integrantes do PT.
O repórter contou, também, que os dados do dossiê foram vazados à imprensa por uma corrente do PT, envolvida em disputa interna por contratos na área de comunicação.
Segundo a reportagem apurou, a PF avalia que os dados sigilosos estavam nesse computador.
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“Não sou araponga”, diz deputado
Rio - “Não sou araponga. Quando fui delegado, fazia investigação em inquérito aberto, não espionagem, para por na cadeia criminosos do calibre desses sujeitos que formam essa camarilha incrustada no PT”, afirmou por meio de nota divulgada ontem o deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ).
O deputado reagiu à afirmação feita à Polícia Federal pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. dentro do inquérito da investigação sobre quebra ilegal de sigilo fiscal de tucanos.
Ao confirmar à PF ter encomendado dados de dirigentes do PSDB e familiares do candidato a presidente pelo partido, José Serra, o jornalista disse que iniciou a apuração após saber que uma equipe de inteligência supostamente liderada por Itagiba reuniria munição contra o ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB).
Na época, Aécio travava uma disputa interna no PSDB com o Serra para definição de quem seria o candidato a presidente da República.
Itagiba afirma que pediu investigação à PF, no dia 10 de junho, logo após a revista “Veja” publicar que petistas articularam a montagem de uma equipe de espionagem para confeccionar dossiês contra adversários.
Conforme sua assessoria, Itagiba solicitou apuração do caso também porque havia a afirmação de que ele estaria espionando desafetos de Serra. O deputado sempre negou.