Tribuna do Leitor

LIVROS, BONS COMPANHEIROS


| Tempo de leitura: 2 min

Não existe melhor companhia para quem já atingiu a gloriosa e deprimente quarta idade. Eles estão sempre ali, sempre prontos para uma “boa prosa” e com a vantagem de que é você quem escolhe o assunto que pode ser dos mais variados possíveis. Ali você encontra de tudo: lugares pitorescos, histórias e estórias, pensamentos, lembranças, pode ir para qualquer lugar no tempo e no espaço e até contemplar o esplendor das cortes, a beleza das roupas, das paisagens, enfim, é só ter o cuidado de escolher o que lhe possa distrair e encantar e até mesmo ensinar, caso você ainda sinta necessidade de aprender mais. Eu sinto. Mas às vezes fico apavorada como estou agora e não é porque tenha lido algum livro de terror. É que terminei recentemente com os “diálogos no inferno entre Maquiavel e Montesquieu” e pude observar quanto de “maquiavélico” discutido por Montesquieu, o homem da lei correta, está acontecendo agora em nosso país. Em seguida o bom e velho Blaise Pascal com seus pensamentos, duzentos anos antes de Kardec, fala no espírito, com a mesma capacidade desenvolvida pelo mestre do espiritismo e nos leva a sérias reflexões sobre o cristianismo, o verdadeiro cristianismo judaico-cristão.

Mas agora, mais recentemente, me apavorou ler um livro que conta como foi que Hitler surgiu e empolgou um país antes tão erudito e que se deixou fascinar pelo homem que salvando as finanças e cativando as massas em detrimento dos sábios e eruditos, que não acreditavam na ascenção daquele homenzinho, conseguiu mergulhar o mundo num banho de sangue e de maldade, sem que ninguém pudesse fazer nada e com o beneplácito dos seus compatriotas encantados com a sua lábia e sua capacidade de juntar o povão ao redor dele, quase que em adoração. Será que não assusta pensar que algo mais ou menos assim está acontecendo no nosso Brasil?

Isolina Bresolin Vianna - ABLetras - cad. 12

Comentários

Comentários